Previsão de tempo e clima da Semas indica chuvas acima do normal no 1º trimestre

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Belém, 19/01/17 – A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) divulgou o resultado do monitoramento das condições atmosféricas no estado do Pará para o 1º trimestre de 2017. A Sala de Situação, na Diretoria de Meteorologia e Hidrologia (Dimeh), realiza a análise, previsão e monitoramento das condições de tempo, clima e hidrometeorológicas no estado. O prognóstico climático de chuvas para janeiro, fevereiro e março, realizado em parceria com o 2º Distrito Meteorológico (Disme), do Instituto Meteorológico (Inmet), indica precipitação acima do normal em grande parte do estado, em função do desenvolvimento do fenômeno La Niña (mesmo que de curta duração), associado a condições favoráveis apresentadas no oceano Atlântico.

Nos primeiros 15 dias de janeiro de 2017, a precipitação superou o dobro de chuvas ocorridas no mesmo período em 2016, em sete – Belém, Itaituba, Porto de Moz, Soure, Monte Alegre, Tracuateua e Cametá – dos dez municípios analisados. Segundo Antônio Sousa, diretor de Meteorologia e Hidrologia, da Semas, “é provável que a maior parte do estado do Pará apresente chuvas entre normal e acima do normal durante o primeiro trimestre de 2017”.

Em relação a temperaturas, em anos normais, nos quais o oceano Atlântico está favorecendo as chuvas, ou na presença de La Niña, os sistemas de grande escala como a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) estão mais presentes e atuantes, causando dias com nebulosidade variando de nublado a encoberto, com ocorrência de chuvas e redução das temperaturas.

Pelas dimensões continentais e localização geográfica, o Pará apresenta diferentes regimes de chuvas entre suas regiões: sudeste e sudoeste, na maior parte, apresentam período chuvoso de novembro a abril, em média. No Marajó, Baixo Amazonas e grande parte do nordeste do estado, entre os meses de janeiro e junho. A Região Metropolitana de Belém (RMB) e municípios próximos apresentam mais chuvas, de dezembro a maio. Esses meses representam aproximadamente 80% do total pluviométrico anual, período chuvoso conhecido como inverno amazônico, com frequente atuação, simultânea ou não, de diversos sistemas meteorológicos, de diferentes escalas.

Na porção norte do estado, por exemplo, tem a ZCIT como principal sistema produtor de chuva nesse período, há também sistemas meteorológicos de escala menor como as Linhas de Instabilidade e Sistemas Convectivos de Mesoescala, entre outros. No outro lado, no sul do Pará, as chuvas são geradas, em grande parte, pela aproximação de sistemas frontais do Hemisfério Sul, zonas de convergência de umidade ou pela Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que favorecem e organizam a convecção na região, movimentos ascendentes essenciais à formação das nuvens.

Clima – O sol (fonte de energia) e os oceanos (que cobrem 71% da superfície do planeta) são os controladores do clima global. Como o sol apresenta comportamento mais constante e com ciclos bem definidos, as variações bruscas nas Temperaturas da Superfície do Mar (TSM), que perduram por meses, são as principais responsáveis pelas alterações ocorridas em um período chuvoso, essas variações são facilmente sentidas pela atmosfera e tendem a alterar o padrão da circulação geral dos ventos, em especial na região localizada na faixa tropical do planeta.

De 2015 até agora, o Pará sofre influência de anomalias de TSM – variações acima das consideradas dentro dos padrões de normalidade – ocorridas no oceano Pacífico. Essas alterações são responsáveis pela atuação de fenômenos climáticos, como o El Niño e a La Niña, que dependendo da intensidade, são decisivas para o comportamento do período chuvoso na região Amazônica.

Fenômenos – O El Niño representa o aquecimento anormal das águas superficiais do mar. Em grande parte da Amazônia, incluindo o Pará, o El Niño impede a formação das nuvens de tempestades, causando redução das chuvas e aumento das temperaturas. A La Niña, oposto ao El Niño, tende a intensificar o período chuvoso de nossa região e diminui as temperaturas. Os efeitos desses fenômenos ocorridos no oceano Pacífico, associados a variações mais curtas que acontecem no oceano Atlântico, podem ser observados no comportamento dos períodos chuvosos nos finais dos dois últimos anos.

Em dezembro de 2016, os municípios apresentaram chuvas na categoria acima e muito acima do normal, exceção apenas a Marabá e Conceição do Araguaia, que apresentaram chuvas abaixo do normal para o período.

 

Ascom Semas

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