Madeira apreendida pela Semas é doada para projetos sociais

Belém, 14/12/2016 – As ações de fiscalização e combate ao desmatamento da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) agora geram mais um bem valioso ao Pará: o incentivo responsável a projetos sociais que produzem móveis modelados, objetos e ornamentos, feitos com madeiras doadas pela Semas. O órgão é pioneiro, mais uma vez, em ações integradas de sustentabilidade no Brasil, sendo a primeira secretaria do país a dar finalidade aos materiais resultantes de operações.

Além de embargos de áreas e autos de infração, só em 2016, a busca pela proteção e preservação dos recursos naturais do estado promoveu a realização de 125 operações, que resultaram em mais de 25 mil metros cúbicos (m³) – ou 1.250 caminhões – de madeira apreendida. Desse total, aproximadamente 40% já foram destinadas a leilões e doações, uma matéria-prima preciosa que escapa da ilegalidade e é convertida em utensílios funcionais e decorativos

Para transformar a madeira em arte, a Semas conta com a parceria da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe), que utiliza o material para oficinas de marcenaria. O órgão, que recebeu 124,03 m³ de madeira serrada este ano, trata os detentos como protagonistas de suas reinserções sociais a partir de atividades que produzem desde mesas clássicas de jantar ao famoso tok tok (usado para o consumo de caranguejo). Todo o material é comercializado em feiras de exposição.

Izabel Ponçadilha, coordenadora de trabalho e produção da Susipe, destaca que o fomento às oficinais são essenciais, já que este trabalho proporciona o resgate da cidadania dos detentos. “Muitas vezes esses homens nunca trabalharam, então com ações assim eles tem qualificação e passam a valorizar o próprio sustento, aprendem sobre empreendedorismo, para que possam ter um ofício e uma renda fora do sistema penitenciário. É um trabalho que promove a autoestima também. O nosso papel é devolver esse homem para a sociedade de forma modificada”, enfatizou.

A doação acontece quando a Semas atende iniciativas de instituições do estado ou associações sem fins lucrativos voltados para a educação e auxílio de comunidades carentes. Nos projetos recebidos, constam informações como volumetria e espécie de madeira requerida, além de detalhes sobre o uso do material. Após a doação ser concluída, a Semas realiza ainda o acompanhamento do trabalho praticado, tudo para garantir que seja feito o uso correto e sustentável do bem adquirido.

As doações da Semas também nutrem iniciativas da Prefeitura Municipal de Juruti, onde o material foi utilizado para recuperar casas de ribeirinhos e estivas afetadas pelo período de cheia do rio Amazonas; a Fundação Pro Paz, que utilizou a madeira para reconstruir casas populares destruídas em uma ocasião de incêndio; a Associação de Assistência ao Idoso, que fez ampliação da estrutura, por exemplo.

Entre as iniciativas das instituições beneficiadas com doação também destaca-se o Instituto de Barcarena Socioambiental (IBS), que utilizou os 751,20 m³ de madeira serrada recebidos para reformar e construir pontes e palafitas, beneficiando a comunidade local. A Semas também doa outros equipamentos como motosserras, que foram destinadas recentemente ao Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-bio) e ao Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, fortes parceiros em ações de fiscalização ambiental em todo o estado.

O servidor da Diretoria de Fiscalização Ambiental da Semas, Carlos Santiago, explica que o material é destinado principalmente para os projetos de caráter educacional e de auxílios às comunidades. “A madeira, pelo potencial exploratório e valor econômico é o principal material apreendido nas operações de fiscalização ambiental. Trabalhamos intensamente para coibir esse tipo de crime, mas é importante também dar a destinação correta ao que foi apreendido. O maior exemplo que tive isso foi referente a uma doação feita para a Diocese de Castanhal, onde em uma visita eu pude verificar a beleza do trabalho final e onde foi empregado todo o material. Eles estão construindo uma escola que vai proporcionar formação técnica para a comunidade da região. Acredito que seja esse retorno e incetivo que a Semas procura”, destacou.

Entre as várias espécies de madeiras doadas estão a branca, vermelha e nobre, como os 22 m³ da espécie rara chamada Acapu que foram destinados à Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) para reforma das baias de internamento dos animais atendidos gratuitamente pelo Projeto Carroceiro – voltado para animais como cavalos, burros e jumentos. O restante das toras apreendidas que não são doadas tornam-se objetos de leilões organizados pela Semas, que visam arrecadar fundos para a administração pública investir em atividades de recuperação e proteção dos ecossistemas amazônicos, fortalecendo o compromisso da Semas em trabalhar o desenvolvimento sustentável no Estado.

Ascom Semas

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