Semas apresenta ferramentas de inovação em Fórum sobre Desmatamento Zero

Belém, 23/09 – Na manhã do último dia 22, foi realizado o segundo e último dia do Fórum Folha Desmatamento Zero, produzido pelo Jornal Folha de São Paulo em parceria com a Climate and Land Use Alliance (CLUA), cujo objetivo é trazer a discussão sobre o meio ambiente e pensar em soluções para contribuir positivamente no processo de mudanças climáticas.

A palestra de abertura ficou por conta de Almir Suruí, coordenador-geral da Associação Metareila do Povo Indígena Surui. Durante o discurso, o representante indígena alertou a sociedade a respeito do uso sustentável da floresta. Segundo Suruí, o bioma amazônico como um todo é um instrumento importante para toda a humanidade, por isso há uma necessidade urgente de alinhar um diálogo socioeconômico responsável. “Temos que começar a pensar numa gestão para a floresta em pé, planejar com responsabilidade o uso da terra, reflorestar e proteger”, alerta Suruí.

A coordenadora do Programa de Política e Direito Sustentável do ISA, Adriana Ramos, também foi uma das palestrantes do seminário. A especialista garante que para desenvolver a Amazônia juntamente com o progresso social, é necessário criar um novo paradigma na região, que priorize a preservação florestal e a qualidade de vida dos povos indígenas. “A gente tem que começar a pensar num novo modelo de gestão, num novo modelo de desenvolvimento próprio para a Amazônia, que mantenha a floresta preservada. Temos que valorizar a floresta para que ela tenha valor em pé”, ressalta Ramos.

No que diz respeito à regularização fundiária e ambiental, Thiago Valente, Presidente do Instituto de Desenvolvimento e Biodiversidade do Pará (Ideflor-bio), afirmou que o principal desafio está em fazer do desmatamento um mau negócio. “Hoje a sociedade não aceita moralmente o desmatador, foi criada uma consciência social e por isso é interessante agir de forma que o desmatamento seja um modelo de negócio desinteressante”, afirma Valente. Além disso, o presidente do Ideflor lembrou também que uma das metas do Governo do Estado do Pará para contribuir com o desmatamento zero, é a modernização da regularização fundiária, com um sistema mais eficaz, que trará mais celeridade aos processos.  Participaram do mesmo painel a presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Maria Lúcia Falcón, e o diretor sócio da Geoplus Consultoria em Meio Ambiente, Valmir Ortega.

Já no painel sobre “Como o manejo sustentável vai contribuir para o Desmatamento Zero”, o Secretário Adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas), Thales Belo, apresentou as ferramentas de inovação e transparência que o governo do Pará implantou nesta gestão. Thales afirmou que o manejo sustentável pode contribuir com a redução do desmatamento. “Para que o plano de manejo contribua com o desmatamento zero é necessário agrega-lo à ferramenta de gestão interna dos órgãos competentes”.

Ferramentas – O secretário mostrou as ferramentas de controle, uso comércio e transporte do produto florestal que funciona como um painel online onde é possível verificar, por exemplo, o tipo de espécie de madeira que está sendo transportado, bem como a volumetria do produto florestal por empreendimento. Thales mostrou também um mapa público disponibilizado no site da Semas onde é possível visualizar todos os imóveis rurais do Cadastro Ambiental Rural (CAR), os planos de manejo do Estado georreferenciados – dando transparência às ações do Governo -, a Lista de Desmatamento Ilegal (LDI) e o Portal de Regularização do Prodes.

Foi apresentado também o comitê de Monitoramento Estratégico para Fiscalização, que consiste em um departamento específico dentro da Secretaria que tem como objetivo promover o planejamento, a coordenação do monitoramento e o apoio técnico à fiscalização ambiental no Estado. Thales lembrou que nas duas operações que foram realizadas durante este ano, 28 pessoas de grandes organizações criminosas já foram presas por crimes ambientais na Amazônia.

Pecuária – Apontada como um dos principais causadores de desmatamento no Brasil, a pecuária é a atividade econômica que mais utiliza solo no país, com mais de 170 milhões de hectares. Atualmente o setor produtivo está organizando as cadeias de produção para fiscalizar e rastrear a origem da carne e combater o trabalho escravo que ainda existe em algumas regiões.

O diretor geral de sustentabilidade da empresa JBS Brasil, Márcio Nappo, explicou que o investimento da JBS em sistemas de monitoramento via satélite para prevenir a compra de gado de fazendas que ainda realizam desmatamento, é vital para o modelo de negócio da empresa. Para o representante do Greenpeace, Nilo Dávila, a evolução da pecuária no país é indiscutível, mas lembra “o desafio agora é trazer os demais frigoríficos e a cadeia de varejo”, se referindo às outras empresas que ainda não tem um plano de fiscalização eficaz.

Ascom Semas

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