Pesquisadora inspeciona igarapés da APA Araguaia

Nilson Amaral foto

Belém, 29/7/14 – Conhecer a utilização dos recursos hídricos, o nível de instrução da população, e as principais atividades econômicas das famílias que moram no interior da Área de Proteção Ambiental (APA) Araguaia, localizada no município de São Geraldo do Araguaia, sudoeste do Pará, foi a finalidade da professora-doutora em geografia, Odete Santos, quando percorreu a APA, este mês.

A pesquisadora esteve, entre outras áreas, nas Vilas Santa Cruz dos Martírios, Sucupira, Ilha de Campo e Vila Bandinha, todas localizadas no interior da APA. A professora entrevistou moradores e servidores das escolas do local, com objetivo de colher informações para embasar relatório técnico com orientações para procedimento administrativo em relação às anormalidades encontradas nos cursos d’água localizados na unidade de conservação da natureza.

O relatório será protocolado na Diretoria de Áreas Protegidas (Diap) da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), que deu apoio à incursão ambiental, disponibilizando técnicos da gerência do Parque Estadual Serra das Andorinhas (Pesam), para auxiliar a pesquisadora durante as atividades de campo.

De acordo com Odete Santos, o documento pode servir de instrumento para a Sema efetivar a política de gestão hídrica na unidade de conservação. “Se as pessoas querem ter água para beber, é preciso zelar e proteger os igarapés”, orienta.

Para o gerente do Parque Serra das Andorinhas, Abel Pojo, o resultado da pesquisa pode auxiliar na gestão da área. O gestor destaca que “com o relatório técnico teremos instrumento que pode nos ajudar na solução dessas anormalidades encontradas na área protegida”.

A pesquisadora antecipou que percebeu indícios antrópicos (resultante da ação do homem) que podem afetar os lençóis freáticos e contaminar os riachos que servem de fonte para subsistência das famílias que moram na região da APA Araguaia.

Carros passam por dentro dos igarapés em alguns lugares da área protegida. De acordo com Odete Santos, essa prática provoca pequenas ondas que quebram as partículas do solo e, com o passar do tempo, pode extinguir os riachos. “Percebi falta de pontes na estrada de acesso às vilas. Essa prática mata a vida aquática nas imediações daquele trecho e contribui para que haja o assoreamento do igarapé. É necessário intervenção para mudar a forma de utilização desses recursos naturais urgentemente”, explicou a geógrafa.

“Em algumas propriedades foram retiradas as matas ciliares que são importantes para a diminuição do assoreamento dos córregos. Isso deve ser imediatamente reparado. Caso contrário, em pouco tempo, os córregos da região estarão extintos e as pessoas não terão mais água para beber”, alertou a pesquisadora sobre o cumprimento do Código Florestal.

Ainda, na região, é comum encontrar fezes de gado às margens dos riachos. “A chuva leva os dejetos do gado para o interior dos igarapés e contamina a água com coliformes fecais. Assim, a saúde da população que utiliza a água para beber, lavar roupa e tomar banho fica prejudicada”.

BALNEÁRIOS

Odete Santos também visitou dois dos principais balneários localizados no interior da APA Araguaia: a cachoeira Três Quedas e o Parque das Águas. Para ela, a falta de saneamento básico nestes locais é preocupante. As pessoas que frequentam os balneários fazem suas necessidades fisiológicas nas imediações do banho.

“A água da chuva leva a urina humana para o lago onde as pessoas tomam banho. As pessoas que exploram economicamente o espaço devem providenciar melhoria na infraestrutura do local, sob pena de receber multa por dono ambiental, conforme preconiza a Lei Nacional de Recursos Hídricos. Após entrega do relatório, a Sema deve tomar as providências necessárias que o caso requer”, advertiu a pesquisadora.

Texto e foto: Nilson Amaral

Ascom Sema

(91) 3184 3341

Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade
Travessa Lomas Valentinas, 2717, CEP: 66093-677. Belém/Pará