Sema realiza monitoramento ambiental durante o festejo tradicional na Casa de Pedra

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Belém (20/06/14) – Pelo oitavo ano consecutivo, técnicos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) percorreram cerca de seis quilômetros para realizar o monitoramento ambiental na Casa de Pedra durante a 25ª edição do Festejo do Divino Espírito Santo – manifestação religiosa que ocorre dentro do Parque Estadual Serra dos Martírios/Andorinhas – no município de São Geraldo do Araguaia, região sudeste do Estado. As atividades desenvolvidas durante o evento tem a finalidade de sensibilizar romeiros e visitantes para reduzir os impactos ambientais causados ao local durante a festa religiosa. Este ano, celebração foi realizada entre os dias 7 a 15 deste mês.

O Festejo do Divino Espírito Santo é uma festa popular realizada com base no calendário religioso católico. Acredita-se que o costume veio de Portugal, trazido pelos missionários jesuítas e primeiros colonos, e que está intimamente ligada ao período da mineração de ouro. Na Casa de Pedra, o evento inicia no domingo de Pentecostes, cinquenta dias após a Páscoa.

As principais ações da Sema no local consistem em isolamento  de  abrigos  com  sítios  arqueológicos, fiscalização  quanto  à  caça de animais silvestres, desmatamento e retirada de madeira ilegal;  evitar a comercialização de bebida alcoólica; fazer monitoramento do lixo gerado no local; bem  como  a  realização  de  atividades  lúdicas  de  sensibilização  ambiental  envolvendo  os  romeiros; e ainda orientação sobre prevenção contra incêndio florestal.

Todos os anos, os técnicos instalam lixeiras no perímetro e disponibilizam sacos plásticos aos romeiros, além de realizarem palestras sobre assuntos relacionados ao meio ambiente.

De acordo com o gerente do Pesam, Abel Pojo, a missão da equipe é inibir a degradação ambiental provocada por visitantes que frequentam a localidade no período do festejo. “Durante o festejo, desenvolvemos atividades que levam as pessoas a refletir sobre a importância de preservar o meio ambiente. Nesse sentido, apresentamos peças teatrais, realizamos palestras, exibimos documentários, além de fazer monitoramento do lixo gerado no local”, detalhou Abel, destacando que as ações vêm gradativamente apresentando resultados positivos.

Ainda de acordo com o gerente, parceria da Sema com a Polícia Militar e a Prefeitura de São Geraldo do Araguaia garante a ordem pública no local. “Durante o festejo, mantemos policias militares para garantir a segurança pública e técnico de enfermagem para atendimento de primeiros socorros”, acrescentou Abel.

Este ano, dentre as ações lúdicas desenvolvidas durante a festa religiosa, um dos momentos de maior emoção ocorreu durante exibição de um documentário sobre o próprio festejo elaborado voluntariamente pela produtora Labour Filmes, cujo idealizador foi o professor universitário Evandro Medeiros, lotado no Unifesspa, campus de Marabá.

O documentário registra também parte das ações de monitoramento realizadas pela Sema durante o festejo, e ainda, pessoas que vem de outros estados do país para cumprir promessas de voto rogadas ao Divino Espírito Santo.

Ainda de autoria de Evandro, foi exibido também documentário sobre a Guerrilha do Araguaia, no qual muitos romeiros relatam momentos de tortura vividos nas mãos de militares do Exército Brasileiro durante os primeiros anos da década de 1970.

O festejo do divino Espírito Santo na Casa de Pedra

Para realizar a festividade, os romeiros limpam as trilhas anteriormente ao evento e ordenam as atividades no decorrer dos nove dias. Por ocasião do festejo, o local recebe visitantes de vários estados do país. Na região, é comum encontrar serpentes e outros animais silvestres. O local de concentração para os cultos mede cerca de 700 metros de altitude.  Este ano, além do Pará, o evento recebeu pessoas do Tocantins, Maranhão, Piauí, Goiás e Minas Gerais.

As características da trilha com trechos de solo arenoso e travessia de formações rochosas que exigem lances de escalada, tornam a caminhada cansativa e demorada. Este fato desestimula muitas pessoas a participarem do evento, na mesma medida que incentiva outros tantos, em função dos sacrifícios e promessas estabelecidos para a ocasião.

A maioria dos romeiros que participam das procissões são pessoas com idades acima de 50 anos. Durante o evento eles rezam, cumprem promessas, oram e cantam hinos religiosos. As celebrações acontecem no ‘Abrigo do Santuário’, uma formação rochosa em forma de arco, onde foi improvisado um altar. Para eles, o local é sagrado.

A dinâmica do evento religioso é surpreendente. No local são construídos ranchos com pau a pique e cobertos de palha de babaçu para abrigar pessoas. Cada família que tradicionalmente frequenta a festa possui seu local cativo, respeitado pelos demais. Algumas pessoas se abrigam debaixo das rochas. Nestas áreas ocorre pernoite, a socialização dos grupos e é preparada a comida.

O ritual religioso inicia por volta das 5h. Diariamente, um grupo de senhoras se concentra para rezar ajoelhadas ao redor de altar feito na rocha. Elas permanecem em penitência por cerca de duas horas. Às 9h, as senhoras retornam para mais um ciclo de adoração, que dura por mais duas horas. Após o almoço, o tempo é preenchido por atividades lúdicas realizadas entre os romeiros em espaço arenoso em frente ao santuário.

Na localidade, há pouca disponibilidade de água. O córrego mais próximo fica cerca de dois quilômetros. Nos últimos sete anos, o suprimento de água para abastecer os acampamentos é realizado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, através de bombeamento por um motor para armazenamento em um reservatório com capacidade para mil litros do líquido.

Um dos coordenadores do evento, Raimundo Alves da Silva, 60 anos, ou Raimundo Caroço, como é conhecido entre os romeiros, explicou sobre o início do festejo, no lugar de tão difícil acesso. Ao lado da esposa, Luiza da Silva Amorim, 60 anos, o romeiro fala sobre a importância da manifestação religiosa. “Começamos a celebrar a divindade aqui desde 1988. Uma devota do Divino Espírito Santo [dona Zefona] que morava na região da Casa de Pedra fez uma promessa, e se alcançasse a graça, deveria festejar a Santíssima Trindade neste local enquanto tivesse vida. Então ela nos convidou, e aqui estamos há 25 anos”, contou Raimundo Caroço. Para ele o complexo rochoso é um local abençoado.

Texto e fotos: Nilson Amaral – DIAP/Sema

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