Primeiro etnozoneamento de Terras Indígenas é realizado no Pará

Belém, 14/5/12 – Comunidades indígenas e lideranças de nove aldeias da porção paraense das Terras Indígenas Trombetas e Nhamundá-Mapuera, município de Oriximiná, na Calha Norte do Estado, participaram juntamente com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) de oficinas para validação dos resultados do diagnóstico etnoambiental e elaboração do zoneamento participativo de seu território, no início do mês, na Aldeia Mapuera.

Equipe técnica da Gerência de Gestão Ambiental em Terras Indígenas da Sema, em parceria com a Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, Equipe de Conservação da Amazônia, Associação dos Povos Indígenas do Mapuera e Fundação Nacional do Índio (Funai), desde junho de 2010 executam, por meio de convênio financeiro, atividades de consentimento prévio voltados ao diagnóstico nas áreas de socioeconomia, etnohistória, mastofauna, ictiofauna, meio físico, avifauna e vegetação, para elaboração do zoneamento da porção paraense dessas Terras Indígenas.

A divisão, em zonas a serem trabalhadas, feita pelos indígenas indicou áreas para recuperação, proteção integral, áreas sagradas, de caça e pesca, entre outras e estabeleceram demandas políticas para o planejamento e gestão territorial e ambiental. Este é o primeiro zoneamento participativo realizado em Terras Indígenas no Pará. Na ação, foram treinados mais de 30 pesquisadores indígenas que puderam trabalhar em parceria com pesquisadores não indígenas para viabilizar os estudos da sociobiodiversidade nesta região do Estado.

Gerente da gestão ambiental de terras indígenas, da Diretoria de Áreas Protegidas, da Sema, Cláudia Kahwage considera prioritária “a gestão integrada e consolidação de áreas protegidas e do corredor ecológico da Calha Norte do Estado do Pará, uma das regiões mais conservadas do planeta do ponto de vista da biodiversidade”.  Nesta região, a Sema faz a gestão de cinco Unidades de Conservação da Natureza que têm fronteiras com estas Terras Indígenas, especialmente as Florestas Estaduais do Trombetas e Faro e a Estação Ecológica Grão Pará. Segundo a pesquisadora, o etnozoneamento produzido pelos indígenas é importante ferramenta de planejamento e gestão, “tanto para seus povos quanto para os governos”, conclui.

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