Pará e Delegação Européia trocam experiências na área ambiental

Belém (11/10/11) – Um intercâmbio de experiências no ramo do comércio e extração de madeira foi tema de uma visita técnica de uma delegação da Comunidade Européia na última segunda-feira, 10, no auditório da Federação das Indústrias do Pará (Fiepa).

A secretária de Estado de Meio Ambiente, Teresa Cativo, compôs a mesa de debates em companhia do Superintendente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Sérgio Suzuki; da Assessora de Assuntos Internacionais do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Gabrielle Honnicke e do representante da delegação da União Européia no Brasil, Arnold Dixmude. Também estiveram presentes o secretário de Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção do Estado do Pará, Sidney Rosa; representantes da ONG internacional TFT e técnicos do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Durante a reunião, a secretária reforçou a importância da questão ambiental no desenvolvimento do país. “Não é possível fazer desenvolvimento econômico sem levar em conta o meio ambiente”, disse. Após explicar aos visitantes a estrutura da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Teresa Cativo demonstrou as agendas (verde, azul, marrom e branca) trabalhadas pela secretaria, a desburocratização do licenciamento ambiental, a intensificação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a visão sistêmica do futuro. “O Pará é um grande exportador de madeira e a União Européia representa um expressivo público consumidor. Com esses instrumentos de desburocratização e combate à ilegalidade, temos tudo para aumentar essa produção, indo em direção à demanda global”, afirmou.

O representante da União Européia, Arnold Dixmude, falou do combate ao comércio ilegal de madeira e da contribuição do continente europeu em um plano de ação na aplicação das leis ambientais e da governança florestal. “Nossa proposta é realizar uma troca de experiências, conhecimentos, e aprender o que acontece no âmbito brasileiro. Já fomos a São Paulo e Acre para conhecer as iniciativas estaduais e agora estamos aqui, no Pará, nossa última etapa, porque é o maior produtor de madeira no Brasil”, esclareceu.

Dixmude também falou do plano de ação Forest Law Enforcement Governance and Trade (Flegt), um documento da política da União Européia criado para regular o comércio internacional de madeira. “O comércio ilegal de madeira possui impactos ambientais, sociais e econômicos. O meio ambiente perde qualidade, as comunidades ao redor também e o país sofre perda de mercado. Nós, na qualidade de importadores de madeira, temos responsabilidade nesse comércio e acreditamos que a imposição de um controle de legalidade de madeiras importadas será o melhor para todos”, concluiu. O Flegt garantirá, segundo Dixmude, a legalidade e a rastreabilidade da madeira. Para aderir ao Flegt, o Pará deverá fazer a assinatura de um acordo de Parceria Voluntária (APV).

Para comprovar os esforços do Estado e dos empresários do setor no aprimoramento do comércio de madeira, o diretor técnico da Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará (Aimex), Guilherme Carvalho, mostrou que, depois da aquisição do Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais (Sisflora), já é possível monitorar e controlar a compra e venda de madeira no Estado com extrema segurança. Para provar a eficácia do sistema, o diretor fez uma experiência na presença de todos e entrou no site da Sema para emitir uma guia florestal. “Vocês podem ver aqui todas as informações. Isso tudo pela internet. Com extrema praticidade, o sistema permite que qualquer interessado possa checar a autenticidade de um documento. O controle da madeira é correto e seguro, tudo muito transparente”, garantiu.

A gerente de projetos de campo da América Latina e representante da TFT, Camila Nardon, ilustrou a necessidade da Europa em eliminar a madeira ilegal das cadeias do mundo ao explicar que a criação da ONG TFT resultou dessa lacuna. “A TFT surgiu em 1999 em decorrência de não haver uma rigidez no controle da madeira que entrava na Europa. Com base nessa necessidade, criou-se a ONG e a prova cabal de que já existe uma consciência dos compradores são as empresas de móveis e jardins de muitos países que só aceitam madeira legalizada e rastreada”, exemplificou.

Sidney Rosa confirmou a vocação florestal do Pará e endossou o comércio legal de madeira. “Precisamos não criar barreiras para os produtos de boa origem. As exportações de madeira têm perdido mercado para o PVC, o granito e até para a cerâmica, mas acredito que nossa parceria para o combate à madeira ilegal servirá como porta de entrada para os produtores regularizados. Assim, juntos, Pará e Europa, será possível delinear a indústria florestal que queremos para este Estado”, desejou.

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