Palestra sobre povos indígenas lota auditório da Sema

O professor português da Universidade de Stanford (Califórnia), Dr. José Manuel Fragoso, realizou a palestra Monitoramento de Fauna Silvestre realizado por indígenas, no auditório lotado da Diretoria de Áreas Protegidas (Diap), dentro do parque do Utinga (Peut), também sede da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), na quarta-feira, 3.

 

A atividade faz parte do projeto Conservação da Biodiversidade em Terras Indígenas, da Coordenadoria de Ecossistemas e da Gerencia de Gestão Ambiental em Terras Indígenas da Sema.. O projeto explica que os indígenas qualificados poderão se fortalecer na condição de condutores e gestores dos recursos naturais de seus territórios, sem que essa capacitação interfira na cultura e modo de vida desses povos.

 

O estudo durou três anos e meio e envolveu vinte e três comunidades da Guiana e de Roraima. Os materiais foram coletados pelos próprios indígenas, que, treinados, reuniram dados para as instituições de pesquisas acadêmicas.

 

Biodiversidade, meios de subsistência, o uso da terra e o comportamento dos caçadores permitiram que o pesquisador traçasse o que identifica como “visão de mundo” das comunidades indígenas. “O estudo não se restringiu apenas em economia, mas também em outros aspectos, por exemplo, o religioso. A figura do xamã [guia espiritual] nas aldeias ainda tem forte influência”, explicou.

 

Foram percorridos 43.122 km em andanças na floresta em busca de registro de sinais de animais, mordeduras e manchas em frutas, que sinalizam a forma de viver de uma comunidade. O pesquisador deu ênfase ao consumo dos ungulados (animais com cascos e unhas): “mapeamos os sinais desses animais adjacentes às comunidades e vimos que a caça de antas e tatus é muito frequente nessas vilas”, disse.

 

Fernanda Magalhães, bióloga do Museu Emílio Goeldi, ficou surpresa com o aprendizado na palestra. “A gente aprende sempre um pouquinho quando se dispõe a estudar a interação entre as culturas, mas o conhecimento de campo do professor Fragoso fez com que tivéssemos uma visão de mundo bem completa”, revelou.

 

No projeto, ainda estão previstas as seguintes atividades para este ano: lançamento de um livro sobre a situação socioambiental das terras indígenas no Estado, etnomapeamento desse território e incentivo à comercialização de produtos fabricados por esses povos.

 

Ascom Sema

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