Santarém recebe Ação Verão

Belém (12/07/11) – “Eu sou uma rosa cheirosa que exala os ambientes deixando meu sorriso estampado em cada pessoa que está ao meu lado. Quero dar e pedir proteção às flores e às árvores e peixes da natureza”. Por meio dessa poesia, Creuza Barreto, presidente da Associação dos Ambulantes de Maracanã, se expressou no momento “Quem sou eu?, parte integrante da I Oficina de Práticas Comunitárias de Educação Ambiental, que teve início nesta segunda-feira, 11, na praia do Maracanã, em Santarém, região do Tapajós.

A oficina faz parte do projeto Ação Verão, realizado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) nos balneários que mais atraem turistas em julho. O projeto atua em duas frentes: a primeira é voltada para a comunidade e tem como público- alvo os vendedores ambulantes, donos de barracas e bares que atuam nas praias. “A idéia é capacitá-los para que se tornem nossos multiplicadores. Eles têm potencial para virarem agentes ambientais daqui e depois nos ajudar a conscientizar os veranistas”, afirmou a socióloga e coordenadora do projeto Ação Verão em Santarém, Mira Araújo. E a segunda etapa, com previsão para ocorrer em setembro, época de grande concentração de pessoas nas praias devido ao Sairé, será destinada aos veranistas.

Os participantes estavam entusiasmados com a iniciativa de capacitá-los. Zuleide Maia, gerente da Unidade Regional da Sema em Santarém (URE-2), acredita que iniciativas como essa só tendem a fortalecer a economia do município. “Com essa capacitação, a comunidade de Maracanã estará mais preparada para receber os turistas. Isso movimentará a economia não só dos que vendem na praia, mas também o comércio local”, explicou.

Todos utilizaram elementos da natureza no momento de internalização e autoconhecimento, o “Quem sou eu?”, o que prova a coexistência homem e meio ambiente. “Desenhei um pássaro porque sou como ele: livre, com gosto por conhecer o mundo e com uma função ambiental de ajudar a natureza a se reproduzir, porque ele pega a semente de uma árvore, voa, e joga lá adiante, ajudando a fazer mais árvore”, disse João Queiroz, vendedor ambulante, explicando com suas próprias palavras o processo de polinização das aves.

Depois houve a dinâmica “vivência de pluralidades de idéia”, em que cada participante colou uma gravura na costa do outro. A escolha da imagem deveria ser explicada ao grupo. Antônio Pinheiro selecionou a fotografia de uma família para representar a comunidade dos vendedores ambulantes e donos de barraca de Maracanã. “Meu desejo é termos união como essas pessoas. É sermos uma família. E uma família cuida e protege seus membros. Se tivermos essa consciência fortaleceremos nossa profissão”, desejou.

A pedagoga da Sema, Sineide Wu, leu a “parábola do espelho” e pediu que cada um refletisse sobre si. “A parábola nos mostra uma falta de conhecimento de si próprio. Pessoas que tendem a ter uma imagem bem distinta do que realmente são. Eu, por exemplo, tenho amigos doutores que se acham grandes donos de conhecimentos, mas, ambientalmente, nem sabem que são analfabetos”, filosofou o participante Antônio Campos.

A oficina ainda abordou temas como saneamento básico, infraestrutura e turismo receptivo. “O principal ator do desenvolvimento e expansão do turismo em um município é a comunidade. A educação ambiental é prevenção. É o potencial do meio ambiente da região que atrai o turismo até vocês. E, na medida em que vocês estão na busca e repasse do conhecimento para conservar esse potencial, passam também a serem educadores ambientais”, resumiu o pedagogo da Sema, Clézio Fonseca.

Rosimere Soares, proprietária do Bar da Mere, local em que ocorreu a oficina, concorda: “cada um de nós pode fazer a sua parte e os que estão aqui, na oficina, já têm a consciência de que conservar a natureza é bom pra todo mundo. Pro turista que quer conhecer nossas belezas; pro mundo que vai continuar mais bonito e pra gente que sobrevive desse comércio na praia. Com essa oficina, ganha todo mundo”, endossou.

A oficina terá duração de três dias e ocorrerá também nas praias de Ponta de Pedra e Alter do Chão.

Ascom Sema
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Foto: Tamara Saré/Arquivo Agência Pará
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