Fórum de Mudanças Climáticas discute fontes de energia

Mitigação e adaptação das mudanças climáticas regionais, oscilação do clima e riscos das cadeias de valor foram alguns temas debatidos na manhã da última terça-feira, 22, no auditório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa – Amazônia Oriental. Cerca de 80 pessoas de diversas instituições e da sociedade civil organizada compareceram ao evento, que tinha a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), como uma das organizadoras.

Com o tema “Adaptação a Mudanças Climáticas: troca de saberes entre pesquisa, extensão e produtores”, os palestrantes mostraram que as mudanças climáticas são fonte de preocupações bem fundamentadas. “Uma repórter chegou a me perguntar se muito do que se alardeava sobre o tema era mito. Eu disse a ela que tenho vários dados que comprovam que os riscos causados pelas mudanças climáticas são muito sérios”, revelou à platéia Lucieta Martorano, pesquisadora na área de Meteorologia da Embrapa.

Lucieta explicou os cenários de mudanças climáticas no Estado do Pará. “Acredito que para modificar o atual cenário é preciso se acrescentar ao tripé social-ambiental-econômico mais um item, o político.Cabe sim aos representantes a orientação necessária para que todos possam agir e pensar de forma sustentável”, reforçou a pesquisadora.

O pesquisador do Centro Mundial Agroflorestal (Icraf), Marcos Tito, falou da importância das florestas na mitigação das mudanças climáticas. “As ações de reflorestamento proporcionam o seqüestro do gás carbônico da atmosfera, o famoso CO2, que é o grande responsável pelo efeito estufa”, disse.

Tito completou que essas atividades foram exemplificadas como medidas mitigadoras no combate às mudanças climáticas na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e pelo Protocolo de Kyoto.

A assessora de Povos Tradicionais da Sema, Edna Marajoara, questionou as ações danosas das fontes de energia consideradas “fontes sujas”, que compõem a matriz energética no Brasil. Ela suscitou uma discussão sobre o potencial da energia renovável e as vantagens em comparação às que funcionam à base do detrimento de combustíveis fósseis, cuja queima libera gases prejudiciais na atmosfera, o que contribui, em grande escala, com as mudanças climáticas.

Marcelo Cunha, pesquisador do Icraf, falou dos riscos em cadeias rurais de valor, o que atinge em muito os povos tradicionais, que são extrativistas. “Com o aumento da pastagem e da pecuária, os meios de vida baseados no extrativismo ficam ameaçados”, disse Cunha.

Ele propôs fortalecer os processos de planificação e manejos dos sistemas agroflorestais. “Acredito que consorciando animais com florestas será possível atenuar o problema sem prejudicar o meio ambiente e o modo de produção local”, disse.

Marcelo falou ainda da metodologia Value Link, uma iniciativa do Governo do Estado de apoio à melhoria das cadeias de produção de castanha, copaíba e andiroba. “Com esse método, é possível mapear as cadeias de valor dos produtos de origem animal e vegetal. É um reforço às iniciativas extrativistas que, com as mudanças climáticas, tendem a se extinguir”, avaliou.

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