Caranguejo está fora do cardápio na semana santa

O caranguejo está fora da dieta religiosa durante a semana santa. O último período de defeso do crustáceo, este ano, começa nesta quarta-feira, 31, e vai até 05 de abril. Outros cinco períodos já aconteceram desde janeiro e foram responsáveis pela devolução de mais de dez mil animais aos mangues de municípios da região do salgado do estado do Pará. Doações também foram realizadas.
A proibição da pesca dos caranguejos, sempre em períodos de seis dias, desde o início do ano, é para proteger a espécie e sua reprodução: influenciados pelas luas nova e cheia, eles saem das tocas e andam nos manguezais para acasalamento. “O defeso protege o futuro do caranguejo e as gerações futuras de pescadores”, explica a bióloga Solange Luz da gerência de Fauna da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).
Resolução publicada em janeiro de 2010 no Diário Oficial do Estado focada na preservação do animal provocou ação conjunta de técnicos da Sema, da Agência de Defesa Agropecuária (Adepará), do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) e policiais do Batalhão de Polícia Ambiental e das PMs de municípios fiscalizados, além do apoio de prefeituras municipais.
Feiras, restaurantes, supermercados, o transporte nas estradas e os próprios manguezais recebem fiscalizações para que o período de defeso seja obedecido. As cinco operações já desencadeadas resultaram na apreensão e devolução de mais de dez mil caranguejos para o habitat natural, os manguezais de São Caetano de Odivelas, Bragança, Quatipuru e Augusto Corrêa.
Outros caminhos destinados aos caranguejos apreendidos foram doações para entidades da Região Metropolitana de Belém, mantidas, por exemplo, pela igreja dos Capuchinhos, pela Casa Cipriano Santos e outras instituições filantrópicas, que também receberam o alimento para a refeição dos assistidos.
Animais silvestres em cativeiro e peixes das espécies mero, pirarucu, tambaqui e outros que estão em período de defeso também são fiscalizados. Redes de pesca abaixo dos padrões de distância mínima de 7 cm entre os nós da malha foram apreendidas. Pássaros em gaiolas tiveram o mesmo destino.
O feirante Edilson Oliveira teve 30 kg de peixe mero, oficialmente protegido até 2012, confiscado por estar exposto para venda na feira de Bragança e depois doado para a Polícia Militar do município. O comerciante revelou que sabia da proibição, mas “estava vendendo porque um amigo pescador deixou na minha barraca”, tentou desculpar a venda ilegal.
 
Luiz Otávio Fernandes
Ascom Sema
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