Fiscalização ambiental devolve caranguejos ao meio ambiente

Tradicionais centros pesqueiros do caranguejo, no Pará, nos municípios da região do salgado, neste final de semana, foram alvo de fiscalização ambiental do Estado para cumprimento do quinto período de defeso do caranguejo realizado este ano – 16 a 21 de março. Durante toda a semana, houve apreensões de redes de pesca, soltura de caranguejos nos manguezais, pássaros silvestres em cativeiro e outros crimes ambientais também estiveram em foco. O próximo e último período do defeso este ano será de 31 de março a 5 de abril.

No fim-de-semana, dias 20 e 21, os fiscais da Secretaria de Meio Ambiente (Sema) e os policiais do Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) e da PM de Bragança estiveram na feira de Capanema e apreenderam dois mil caranguejos, mas houve necessidade de pedido de reforço à PM de Capanema “para acalmar os ânimos”, de acordo com um dos policiais.
 
Feirantes mostraram papéis timbrados da Secretaria de Finanças do município de São João de Pirabas e alegavam estar autorizados para o comércio dos animais. “A gente compra e não pode vender”, disse exaltado o feirante João Souza.
 
Os caranguejos foram levados e soltos nos manguezais de Quatipuru. No município, a Sema ainda notificou uma empresa de perfuração do solo, que trabalha em pesquisa para detectar a presença de calcário, para que regularize a atividade na Sema e na prefeitura local. A prefeitura também encaminhou à Sema denúncia de pesca ilegal no rio Quatipuru com utilização do timbó – cipó venenoso – e da  pesca de arrasto.

No porto de Tamatateua, em Bragança, 700 caranguejos foram confiscados e a soltura dos bichos ocorreu nos mangues da estrada que vai para Ajuruteua. Na localidade de Limondeua, em Viseu, não houve apreensões no trapiche fiscalizado.

Nas estradas foram apreendidos 14 pássaros. Os donos diziam estar legalizados para ter os passarinhos. O comerciante Robson Silva apresentou carteira da Associação Amigos Defensores dos Pássaros da Amazônia (Adpam), que não dá direito de propriedade ou posse de animais silvestres. “Essa carteira não é documento para isso”, falou a bióloga Solange Luz, da Gerência de Fauna da Sema, e fez a apreensão dos animais para serem entregues ao Ibama, que faz avaliações para encaminhamento a instituições adequadas.

Na sexta-feira (19), em Bragança, foram apreendidos no centro da cidade cerca de 200 caranguejos, transportados por dois ciclistas, que iriam ser vendidos. O adolescente L. S. disse saber do período de defeso e que iria revender os animais: "comprei 10 cambadas, cada uma por R$ 5 e ia vender por R$ 7, mas não tive sorte", reconheceu. Na estrada de Ajuruteua foram confiscados, de catadores, 300 crustáceos quando saíam do mangue. Todos foram devolvidos ao ambiente do manguezal.
 
Mero – Ainda em Bragança, o feirante Edilson Oliveira foi flagrado vendendo 30 quilos do peixe mero, que está protegido até 2012, por norma federal. Ele declarou que sabia da proibição, mas que o peixe havia sido deixado por um pescador na barraca em que trabalha para ser vendido. Depois de apreendido o peixe foi doado para o 5º Batalhão de Polícia Militar do município. Foi lavrado auto de infração e registrado um Termo Circunstancial de Ocorrência (TCO) na delegacia de Bragança.

Na comunidade de Araí, à 60 km da sede de Augusto Correa, a equipe de fiscais apreendeu redes de pesca fora dos padrões. O material não obedecia a lei e estavam com tamanho inferior a 7 cm entre os nós da malha. O morador do local João Ferreira falou que os pescadores utilizam as redes há muito tempo. Ele justificou o ato ilícito dizendo que "precisamos pescar e sobrevivemos disso". No município, a atuação da fiscalização se estendeu aos portos das comunidades de Aturiaí e Treme.
 
Redes – O engenheiro de pesca, Davyd Oliveira, integrante da equipe da Sema, afirma que a tapagem de igarapés e as redes fora dos padrões legais impedem o crescimento dos peixes. “Esse tipo de pesca pega tudo, peixes grandes e pequenos e as espécies podem desaparecer”, orientou os pescadores. Os fiscais também fizeram barreira noturna no município de Capanema, no trevo das Quatro Bocas, interceptando veículos para averiguação de transporte dos animais.
 
A localidade de Pratinha, em Bragança, também foi fiscalizada para atender denúncia de desobediência ao código florestal. Desmatamento a menos de 50m da nascente, muito próximo do corpo de água. Os responsáveis foram localizados e ficaram cientes do prejuízo ao meio ambiente. “Não vamos mais desmatar”, garantiram.

Luiz Otávio Fernandes
Ascom Sema
(91)3184-3332
 
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