Pará sedia encontro nacional sobre reservas marinhas

Pescadores, marisqueiros, catadores de caranguejo e pesquisadores de todo o Brasil participam no município de Bragança, a 215 quilômetros de Belém, do I Encontro Nacional das Reservas Extrativistas Costeiro Marinhas, promovido pelo Instituto Chico Mendes, com a parceria do governo do Estado, por meio do Instituto de Desenvolvimento Florestal do Pará (Ideflor). O encontro começou no último dia 26 e encerra nesta sexta-feira (30).

Líder do Executivo na Assembleia Legislativa, o deputado Airton Faleiro afirmou que "o governo tem contribuído para esta discussão, principalmente com a criação do Ideflor e da Secretaria de Estado de Pesca e Aquicultura (Sepaq). Trabalhamos muito para que este segmento de pescadores, quilombolas, entre outros, fosse reconhecido. Ainda temos muito a fazer e isso depende de mobilização social. Quando o Chico Mendes criou as reservas extrativistas não pensou que o movimento fosse crescer tanto. Quem poderia imaginar que estaríamos aqui, em Bragança, no Pará, discutindo reserva marinha?".

O Pará tem nove reservas extrativistas marinhas, dentre as 22 existentes no Brasil. Sandra Gonçalves, 39 anos, uma das duas únicas mulheres no Pará a dirigir uma reserva extrativista, disse que "a criação do Ideflor contribuiu muito para o avanço das reservas". "O Ideflor garante recursos para oficinas de viveiros de mudas, para reflorestamento, dentro do programa 1 Bilhão de Árvores. Mas, ajuda, principalmente, no trabalho de conscientização das comunidades que dependem da fauna marinha para sobreviver. Não jogar lixo nos mangues, não derrubar árvores frutíferas, são trabalhos de conscientização que desenvolvemos em parceria com o Ideflor", completou a pescadora de camarão Sandra Gonçalves, presidente da reserva Mãe Grande, no município de Curuçá, e da Central das Associações das Reservas Marinhas do Pará.

A reserva marinha mais antiga do Pará tem sete anos, fica em Soure, município do Arquipélago do Marajó, e é presidida pela catadora de mariscos Patrícia Farias. Segundo dados do Ideflor, mais de 30 mil famílias no Pará dependem da fauna marinha para garantir emprego e renda.

"O evento servirá, também, para discutir medidas que consolidem território e políticas públicas integradas, que tragam melhorias para o setor", acrescentou Waldemar Vergara, coordenador do evento e gestor da Resex Marinha de São João da Ponta.

Logística – Antonio Maria, gerente de extrativismo do Ideflor, ressaltou que a participação do governo do Estado foi decisiva para a realização do encontro. "Nós garantimos a logística para que o encontro fosse realizado aqui", informou.

O Ideflor desenvolve o programa "Extrativismo Vivo" e, segundo Antonio Maria, tem um "projeto ousado, que deverá ser apresentado ao Governo Federal, que é a criação de um Plano Safra, nos moldes do que atende à agricultura familiar, para o setor costeiro-marinho".

O Instituto ainda coordena a Comissão Estadual de Extrativismo (Comex), que congrega várias entidades e visa combater a marginalização da economia extrativista e o empobrecimento dos produtores devido à baixa valorização comercial de seus produtos.

Destaques – De 37 itens ou produtos não-madeireiros, os que mais se destacam em produção são os frutos de açaí (R$ 103,2 milhões); amêndoas de babaçu (R$ 102,2 milhões); fibras de piaçava (R$ 88,9 milhões); erva-mate nativa (R$ 86,9 milhões); pó cerífero e cera de carnaúba (R$ 48,6 milhões e R$ 13,3 milhões, respectivamente); castanha do pará (R$ 43,9 milhões); palmito nativo (R$ 9,9 milhões); látex coagulado de hevea ou seringueira nativa (R$ 7,9 milhões).

Esses produtos somaram 93,7% do valor total da produção extrativista vegetal não-madeireira do país em 2008, totalizando R$ 539,2 milhões. O norte do Brasil detém 90,7% da produção nacional de açaí (fruto); 98,3% da produção de castanha do pará; 11,3% de fibras de piaçava; 94,7% de palmito e 99,8% de látex coagulado de hevea.

No final da manhã, Airton Faleiro confirmou que no próximo dia 11 de novembro (quarta-feira), acontecerá na Assembleia Legislativa uma audiência pública para tratar das reservas extrativistas marinhas.

Edir Gillet – Secom

 

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