Governadora destaca nos Estados Unidos o potencial de carbono do Pará

Los Angeles (EUA) – Ao apresentar as políticas públicas que o governo do Pará está implementando para a conservação da floresta amazônica e a implantação de um novo modelo de desenvolvimento, baseado na sustentabilidade ambiental, a governadora Ana Júlia Carepa demonstrou que o Estado possui um potencial de carbono para vender ao mundo na ordem de US$ 65 bilhões, para um período de 30 anos.

Levando em conta uma área degradada ilegalmente de 12% do território e a aplicação de modelos de negócio estabelecidos no Programa 1 Bilhão de Árvores para a Amazônia, cujo conceito é promover a recuperação de áreas degradadas com viés econômico, são mais US$ 31 bilhões em oportunidades de carbono, numa conta conservadora, que estabelece a tonelada a U$ 3 no mercado voluntário.

"Somos um Estado detentor de um generoso estoque de carbono e queremos converter esse bem, que ajuda a salvar o mundo, na transformação da vida das pessoas, na valorização dos povos da floresta", destacou Ana Júlia Carepa nesta sexta-feira (2) para uma plateia que a aplaudiu com entusiasmo.

Pulmão do mundo – Ana Júlia Carepa e os demais governadores da Amazônia que participam do Fórum Global de Governadores sobre Clima e Floresta (GGCS2, sigla em inglês) – Arnóbio (Binho) Marques (Acre), Valdez Góes (Amapá), Eduardo Braga (Amazonas) e o vice-governador do Mato Grosso, Sinval Barbosa, integraram o painel mais esperado do evento, que abordou o tema "Soluções para a Floresta: Protegendo o Pulmão do Mundo", um dos painéis que encerrou o evento.

A governadora fez um comparativo entre o Pará e a Califórnia, explicando que governa um Estado que tem o triplo do território do Estado norte-americano, no entanto, o PIB da Califórnia é 40% maior que o PIB do Brasil e 220 vezes maior que o PIB paraense. Enquanto no Pará a riqueza gerada por km2/ano é de US$ 20 mil, na Califórnia é de US$ 4 milhões por km2/ano. "Não dá para pensar em meio ambiente, em defender o pulmão do mundo, sem diminuir essa discrepância, que ao mesmo tempo que nos separa, nos aproxima", enfatizou.

Para Ana Júlia Carepa, é necessário avaliar a dimensão dessa relação. "Não podemos falar em conservação sem levar em conta a melhoria da qualidade de vida dos povos que vivem na floresta", disse ela, acrescentando que a floresta, que tanto bem faz ao mundo, não pode ter como ônus o sofrimento social.

Políticas – A governadora discorreu ainda sobre as políticas de sustentabilidade que seu governo está implementando, como o zoneamento ecológico-econômico da zona oeste, já concluído, e o da borda leste e Calha Norte, em fase final de elaboração; o Cadastro Ambiental Rural (CAR); a lei estadual de regularização fundiária; o Plano Prevenção, Combate e Alternativas ao Desmatamento (PPCAD); o decreto que institui a recomposição de áreas degradadas; o Fórum Estadual de Mudanças Climáticas, além do programa 1 Bilhão de Árvores para a Amazônia e parcerias com instituições não governamentais, como a The Nature Conservancy (TNC), Conservação Internacional, Imazon e institutos de pesquisas, como o Museu Paraense Emílio Goeldi.

"Não é possível promover a sustentabilidade sem enfrentar os problemas históricos da Amazônia, que é o ordenamento territorial com regularização fundiária e ambiental", destacou.

Outro aspecto enfatizado pela governadora foi o estabelecimento de metas de redução do desmatamento ilegal, previsto no PPCAD, de 80% até 2020, saindo de 6 mil km2 até o limite de 1.200 km2. "Ao estabelecermos essa meta, estamos contribuindo também para a redução das emissões do Brasil", frisou.

Ao final, a governadora paraense chamou a atenção dos Estados e empresas poluidoras para apresentarem seus projetos e suas oportunidades de negócios, a fim de que junto com os Estados detentores de carbono possam contribuir para conservar o planeta, gerar renda e reduzir a pobreza.

"Não quero ser cobrada amanhã pelos meus filhos e meus netos por não ter tomado ações acertadas quando devia. Estou com a caneta na mão e comprometida com as futuras gerações, para construir um mundo melhor na questão ambiental", ressaltou.

Ivonete Motta – Secom

 

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