Alunos do ProJovem Urbano em Bragança aderem à preservação ambiental

O intenso período chuvoso deste ano, que causou sérios prejuízos pelo Brasil e em mais de 60 municípios do Pará, despertou o interesse de muitos segmentos sociais para os efeitos danosos da ação humana desordenada sobre o meio ambiente, e o compromisso de cada cidadão com a preservação da natureza. Em Bragança, cidade de pouco mais de 100 mil habitantes no nordeste do Estado, a 210 quilômetros da capital, alunos do Programa Nacional de Inclusão de Jovens (ProJovem Urbano) têm se engajado neste debate e, pela segunda vez desde o início das aulas, em abril, trazem à tona a reflexão sobre o ecossistema da zona do salgado.

A Semana do Meio Ambiente, realizada na cidade conhecida como "Pérola do Caeté", nos últimos dias 23, 24 e 26 de setembro, no Teatro e Museu da Marujada, está em sintonia com as políticas públicas do governo do Estado voltadas à promoção do desenvolvimento sustentável em todo o Pará. A mais recente iniciativa da governadora Ana Júlia Carepa foi a assinatura, no dia 22, do decreto que cria o Fórum Paraense de Mudanças Climáticas, um dos instrumentos do Plano de Prevenção, Controle e Alternativas ao Desmatamento (PPCAD), lançado pelo governo do Estado dia 5 de junho.

As atividades do ProJovem Urbano em Bragança contaram com palestras ministradas por pesquisadores da região e alunos do programa, manifestações culturais de artistas locais e visita a áreas representativas do ecossistema local.

Engajamento – A indignação manifestada por Maciele da Silva Brito, 21 anos, sobre o processo de degradação do Rio Galego contrasta com as boas lembranças da infância. Era nas águas límpidas que corriam próximo a sua casa, no bairro Samaumapara, que costumava tomar banho com os amigos, antes de abandonar os estudos, na 5ª série. Ela fez um pequeno levantamento do uso e estado do Rio Galego, apresentou aos quase 800 outros colegas que, como ela, integram o programa, e convidou a todos para que participem da mobilização social pela recuperação do rio.

"Os próprios moradores contribuem com a poluição, quando deixam saco e garrafa plástica no rio e jogam animais mortos nas margens. Mas também não dá para entender porque o poder público colocou uma tubulação nova sem retirar a antiga no leito do rio, impedindo o fluxo da água e o escoamento dos resíduos que ficam mais no fundo. Eu gostaria de formar uma comissão para conversar com políticos e gestores, e chegar a um entendimento", disse Maciele. Grávida de oito meses, ela ainda se refresca na parte mais limpa do Rio Galego e espera que a filha, a quem chamará de Iona, tenha o mesmo privilégio que ela teve quando criança.

Os rios que cortam a cidade são muito usados para o lazer de crianças e jovens, principalmente, mas também servem para lavar roupas, pescar e se deslocar, ocupando um papel social e econômico importante em toda a região. O ecossistema do mangue depende do fluxo adequado dos rios e exerce impacto essencial na vida da população bragantina.

O biólogo Josinaldo Reis do Nascimento, conhecido como "Nego Bil", estudou por oito anos a área de mangue localizada entre a cidade de Bragança e a praia de Ajuruteua, durante sua formação e mestrado na Universidade Federal do Pará (UFPA). "A construção da estrada que leva à praia, na década de 1970, bloqueou o fluxo de água dos rios para a margem esquerda do mangue e fez com que morressem 86 hectares do ecossistema, que corresponde a 6% de todo o mangue da região", afirmou.

Ele acrescentou que a migração para a cidade, a ocupação desordenada, a exploração do mangue (para retirada de peixes e caranguejo) e a própria dinâmica natural do ecossistema da praia contribuíram para a degradação. Segundo ele, estima-se que mais de 15 mil pessoas sobrevivem, direta ou indiretamente, dos recursos explorados no mangue.

Recuperação – "Nego Bil" ressaltou que a implantação de projetos de pesquisa e recuperação de áreas degradadas no decorrer das últimas décadas, e especialmente a formação das reservas extrativistas marinhas nos municípios de Bragança, Tracuateua, Viseu e Augusto Correa, foram responsáveis pelo início do processo de recuperação da região, legando ao Pará a costa mais preservada do país. Ele acredita que a educação ambiental na rede púbica de ensino e iniciativas como o ProJovem Urbano, desenvolvido pelos governos federal e estadual, com apoio do município, são essenciais para impulsionar esse processo. "Durante a palestra, muitos jovens estavam anotando as referências que eu relatava. É uma prova de que eles querem conhecer mais e contribuir. Espero que seja um processo contínuo", frisou.

A Semana de Meio Ambiente do ProJovem Urbano em Bragança foi encerrada com uma visita à área da Diocese, onde está a nascente do Rio Grande, que atravessa boa parte da cidade e deságua no Rio Caeté. Conduzidos pelas professoras Odete Freitas e Viviane Pereira, um grupo de 100 alunos foi conhecer de perto outros trechos do percurso feito pelas águas, também denominadas de Rio Cereja, Maria Henriqueta ou Maracangalha. O grupo agora se programa para promover o plantio de mudas nativas em áreas degradadas e dar sua contribuição para a reconstituição da natureza.

Erika Morhy – Casa Civil da Governadoria

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