Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais instala unidade em Belém

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) vai ajudar não apenas no monitoramento de queimadas na Amazônia, ou de desmatamentos e previsão do clima, mas também no manejo florestal e em várias atividades econômicas, como o agronegócio e a agricultura familiar. Este foi um dos anúncios feitos na manhã desta quinta-feira (27), na sede da Embrapa, durante a instalação oficial do Centro Regional do INPE na Amazônia e da posse de Cláudio Almeida como diretor da unidade.

O INPE, instituído em 1961, tem sede em São José dos Campos e centros regionais em Natal (RN), Santa Maria (RS) e agora em Belém. Durante a posse, o diretor Cláudio Almeida destacou que "tudo que se refere à Amazônia é grandioso" e anunciou que em, no máximo, cinco anos todas as atividades envolvendo o monitoramento da Amazônia (hoje feitas em São José dos Campos) serão totalmente executadas a partir de Belém.

A unidade do INPE já funciona na capital paraense desde janeiro passado, provisoriamente na sede da Embrapa, com 14 funcionários; em cinco anos, o laboratório definitivo e as instalações estarão no Parque de Ciência e Tecnologia Guamá (que o governo do Estado implanta em área da Universidade Federal do Pará) e terá em torno de 50 funcionários.

"Também implantaremos em Belém cursos de capacitação em monitoramente de florestas, e outros de pós-graduação", destacou Cláudio Almeida. "A meta é nos tornarmos a maior referência mundial em monitoramento de florestas tropicais."

A diretora do Museu Emilio Goeldi, Ima Vieira, destacou a cooperação entre várias instituições, para que o INPE instalasse uma unidade na Amazônia, "sobretudo o papel do governo do Estado, que aportou recursos para a conquista e também mobilizou a bancada legislativa do Pará em Brasília para aprovar a emenda garantindo a implantação".

O secretário de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia (Sedect), Maurílio Monteiro, ressaltou as dificuldades de se produzir ciência numa região periférica, "social, científica e economicamente", e a importância de se aglutinarem esforços no sentido de vencer essas dificuldades. "Nosso desafio é que os recursos são poucos e as demandas, muitas", disse Maurílio, "e o INPE em Belém é um passo importantíssimo na descentralização das estruturas de laboratório e capital humano para a Amazônia."

Maurílio lembrou o Termo de Ajuste de Conduta (TAC), firmado em julho pelo Ministério Público Federal com os frigoríficos e pecuaristas do Pará, a partir de proposta do governo do Estado: "Um dos elementos fundamentais do TAC foi o monitoramento, por satélite, de áreas envolvidas no Cadastro Ambiental Rural", lembrou o titular da Sedect. "Da mesma forma, podemos usar o monitoramento para dar suporte ao manejo florestal e a outras demandas concretas e imediatas envolvendo a economia do Estado, como a drenagem e o saneamento de várias áreas."

Investimentos – Gilberto Câmara, o diretor do INPE, também destacou o esforço de "pessoas lúcidas" para a implantação de uma unidade do INPE no Pará, "em especial, do governo do Estado". E lembrou que "o INPE em Belém não começa do zero, mas traz toda a experiência e o acúmulo científico já desenvolvido na Amazônia, sobretudo nos últimos 21 anos, a partir de um acordo com a China, que envolveu o lançamento de três satélites, com previsão de lançar mais dois, até 2011".

"Não estamos aqui apenas para reproduzir as atividades que eram feitas a partir de São José dos Campos", reforçou Gilberto Câmara. "Vamos ajudar a definir políticas públicas e também investimentos econômicos a partir do uso da terra, por exemplo." O diretor do INPE também destacou a transparência com que são feitas e disponibilizadas as pesquisas do INPE. "Está tudo na internet, independente de os números serem bons ou maus. Ciência não é luxo, é condição para o futuro. Nosso compromisso é com a excelência."

O titular da Casa Civil do governo do Estado, Cláudio Puty, último a falar na cerimônia de posse de Cláudio Almeida, lembrou que, em 500 anos, o Brasil produziu grandes passivos, aos poucos solucionados, como a libertação dos escravos, os direitos políticos às mulheres e a redemocratização após o golpe militar de 1964. "Entre os passivos, profundas desigualdades regionais, que fez a Amazônia perder séculos de desenvolvimento, que agora o INPE, junto com outras ações, contribui para resolver."

Novo modelo – Claudio Puty lembrou que um dos maiores benefícios que o INPE trará à região será a formação de mão-de-obra altamente especializada, e que vai não apenas monitorar, mas ajudar a desenvolver dinâmicas de ocupação do território. "O Pará sofre um processo brutal de ocupação. Surgem novas elites e pólos de desenvolvimento, como no sul e sudeste do Pará, e o INPE vai nos auxiliar, por exemplo, a garantir a sustentabilidade ambiental e a distribuição de renda nesses pólos".

O secretário da Casa Civil também destacou os investimentos do governo do Estado no sentido de promover um novo modelo de desenvolvimento no Pará, com a agregação de mais ciência e tecnologia a produtos e processos, entre os quais a criação da Fundação de Amparo à Pesquisa, do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social e da implantação de três parques de ciência e tecnologia.

Após a cerimônia, as autoridades e pesquisadores fizeram uma visita ao Parque de Ciência e Tecnologia Guamá, na UFPA, onde o governo do Estado investe mais de R$ 40 milhões e que vai abrigar as instalações definitivas do INPE no Pará.

No parque, o secretário-adjunto da Sedect, João Weyl, informou que o governo do Estado investiu R$ 12 milhões, em recursos próprios, para que o INPE se instalasse em Belém, e destacou que o governo Ana Júlia Carepa, via fundação de Amparo à Pesquisa, deve criar bolsas específicas para que pesquisadores possam usufruir da excelência do INPE no Pará. "Também vamos potencializar, em função disso, não apenas os laboratórios do INPE, mas outros, como nas áreas das engenharias, em cooperação e integração, e a partir de demandas locais", destacou João Weyl.

Edson Coelho – Ascom Sedect

 

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