Em Brasil Novo, mutirão Arco Verde deve fazer 1.200 atendimentos

Elson Felício de Oliveira e sua esposa, Tereza de Oliveira, fizeram questão de levar o neto para a Feira do Produtor de Brasil Novo, na região do Xingu, onde as ações do mutirão Arco Verde Terra Legal iniciaram na manhã desta sexta-feira (28). Elson procurou o balcão de regularização fundiária com os documentos necessários, visando obter o título definitivo da área de 100 hectares, onde mora há mais de 20 anos com a família. Nos planos do produtor, além de investir em reflorestamento, está o incremento à criação de peixe, já iniciada com a construção de uma barragem e um poço.

"Agora vou poder fazer empréstimo para construir os tanques e comprar os peixes", disse Elson Oliveira, contando que o espaço comporta até 15 tanques e é favorecido pelo rio Jacuru, que corta o terreno. O produtor contará com a ajuda do filho para criar espécies como pirarucu e tambaqui, atividade que, no futuro, poderá gerar empregos diretos e indiretos.

O atendimento a Elson foi um dos cerca de 1.200 previstos para esta etapa do mutirão, que beneficiará os mais de 18 mil habitantes do lugar. Este é o décimo dos 16 municípios paraenses que receberão o mutirão. O próximo é São Félix do Xingu.

Promover a regularização fundiária, realizar licenciamento ambiental, oferecer serviços médicos, prestar orientações técnicas e educativas à população das áreas rurais destas cidades estão entre os principais objetivos da iniciativa da União, em parceria com os governos estaduais e municipais.

Reflorestamento – O plantio simbólico de mudas realizado na frente do mercado por 50 alunos da Escola Municipal Brasil Novo contou com a participação do prefeito municipal, Lindomar Garcia; do secretário de Estado de Agricultura, Cássio Pereira; do secretário de Agricultura Familiar do Ministério de Desenvolvimento Agrário, Adoniran Sanches, e do deputado estadual Airton Faleiro, líder do PT na Assembleia Legislativa do Estado. O plantio faz parte do "Um Bilhão de Árvores para a Amazônia", considerado o maior programa de reflorestamento do planeta.

Em seguida, os presentes ouviram a banda municipal e o pronunciamento de autoridades, parlamentares e representantes de entidades de classe. "Eu nunca tinha visto tanto investimento como agora. Nossa região está virando a página do abandono e do esquecimento", disse Airton Faleiro, que citou como exemplo a recém-criada PA-01 (trecho da rodovia Transamazônica). Resultado do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a estrada liga os municípios de Brasil Novo e Altamira, e tem cerca de 46 quilômetros, dos quais 70% estão asfaltados.

No mesmo local, vários estandes ofereceram informações sobre cadastramento de pescadores, financiamento, obtenção de créditos rurais, entre outros serviços. Já as emissões de documentos estão ocorrendo na Escola de Música, e as palestras na sede da prefeitura.

O agricultor José Bezerra, dono de um sítio de 98 hectares, numa área de assentamento agrário onde planta açaí, babaçu e buriti, partipou da palestra sobre desenvolvimento sustentável de pequenos e microprodutores. Já o agricultor Osvaldo de Souza, 34 anos, casado e com um filho, não escondeu a satisfação ao tirar sua certidão de nascimento. "Até para fechar negócios tinha que pedir para os outros", lembrou. Os atendimentos prosseguem até sábado (29).

Sustentabilidade – Depois do Arco de Fogo, que combateu a degradação ambiental promovida pelo crescimento desenfreado da pecuária, de serrarias e de carvoarias ilegais no Estado, o Arco Verde se destina a oferecer aos trabalhadores rurais alternativas que promovam o crescimento sustentável.

Durante o evento, representantes do Banco da Amazônia (Basa) entregaram um trator aos moradores e o Banco do Brasil entregou três tratores. Pedro Celestino Filho, da Embrapa Amazônia Oriental, repassou ao prefeito uma minibiblioteca, com 200 volumes, sobre educação ambiental, diversidades do homem do campo e técnicas específicas de plantio. Os livros devem ser doados a uma escola local.

Argemiro Pereira, Rosana Teixeira e Aparecida Sá, representando produtores rurais, receberam do titular da Sagri, Cássio Pereira, três currais e dois contratos de funcionamento de cacau. "Estou feliz de ver todo esse investimento, que vai ajudar muito, porque temos uma propriedade difícil para produzir. Esses espaços vão melhorar porque o gado vai ficar semi-confinado", ressaltou o produtor Argemiro, explicando que a nova estrututura do curral, com cochos e ordenhadeira, beneficiarão o gado da bacia leiteira da região.

Giovana Luneli, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR), destacou que, por meio do Campo Cidadão, programa estadual que está completando um ano, a Casa da Farinha de Mandioca de Brasil Novo está sendo construída, num investimento de R$ 130 mil. Ela lembrou ainda que o município também recebeu do programa uma patrulha (trator de pneus) e 160 toneladas de calcário, que faz a correção da acidez do solo. Além da cadeia produtiva da mandioca, a força da agricultura familiar no município está no cultivo de grãos e de cacau.

O Pará é o segundo produtor nacional de cacau. A Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri) investe para colocar o Pará na liderança, em cerca de cinco anos. "Ações do Programa Campo Cidadão para a Região" foi a palestra que teve à frente Cássio Pereira, que também fez a entrega simbólica de uma licença para a operação de uma serraria a Laércio de Souza. "O Laércio decidiu trabalhar dentro da legislação. Isso é uma motivação para todos que tenham esse objetivo e essa determinação vejam que esse trabalho terá nosso apoio", afirmou o secretário.

Luciane Fiuza – Secom

 

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