Etnias do Brasil e do exterior discutem educação indígena

Indígenas do Brasil, Venezuela, Peru e Equador participaram na manhã desta terça-feira (28), da abertura da I Conferência Regional de Educação Escolar Indígena, na aldeia indígena Kyikatejê, localizada em Bom Jesus do Tocantins, a 25 quilômetros da cidade de Marabá, sul do Pará. Temas como a autonomia dos povos indígenas, práticas pedagógicas, políticas e detalhes do ensino nas escolas das aldeias, são temas em discussão no encontro, que vai até o dia 31 deste mês

O evento é uma preparação para a I Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena, que acontece de 21 a 25 de setembro em Brasília. As temáticas também serão debatidas de 10 a 14, em Belém, por mais de 40 povos indígenas das demais regiões do Estado. Participaram da mesa de abertura representantes do MEC, Seduc, Fundação Nacional do Índio (Funai), União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Fundação Curro Velho e Universidade do Estado do Pará (Uepa).

As delegações passarão os próximos dias discutindo a autonomia dos povos indígenas, as práticas pedagógicas voltadas ao segmento, além das políticas, gestão e financiamento do ensino nas escolas das aldeias, para traçar diretrizes para educação escolar indígena. De acordo com a coordenadora de educação escolar indígena da Seduc, Puyr Tembé, trata-se de um momento de construção de políticas públicas para a educação escolar indígena, com os povos indígenas sendo protagonistas do processo.

“Vamos apresentar o que queremos enquanto educador escolar indígena para o nosso povo. Precisamos de vários profissionais para trabalhar com o nosso povo: advogado, médico indígena, e isso só quem vai dizer é o próprio indígena. E a Seduc está construindo juntamente com os povos uma política pública para a educação escolar indígena”, afirmou Puyr Tembé.

Avanço – Gersen Baniwa, coordenador de educação escolar indígena do Ministério da Educação (MEC), participou da mesa de abertura. Ele destacou os avanços e desafios que a educação indígena vivencia. “Nós vivemos num momento muito importante no Brasil. Primeiro, os 20 anos da Constituição Federal, que revolucionou a educação brasileira em geral, especialmente a educação indígena. Segundo, a Lei de Diretrizes e Bases também passa por uma avaliação”, contextualizou.

Para ele, o acesso ao ensino melhorou. “Há duas décadas antes o acesso era muito limitado ou quase nulo. Hoje melhorou muito. Há mais de seis mil indígenas no ensino superior. Uma vez que eles se formem, farão mudanças na vida da aldeia. O Pará é um dos maiores Estados do país, com uma diversidade grande. O grande desafio ainda é universalizar a educação básica”, diz Baniwa.

Diferente – Rikpàrti Kôkaprôti, 38 anos, coordenador de educação da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Kyikatejê, defende a educação escolar indígena bilingue, intercultural, e com professores indígenas atuando na escola. “Entendo que a nossa escola é diferente. É importante buscarmos os nossos objetivos aqui na Conferência, as idéias de cada povo indígena do Brasil. Nossos antepassados não tiveram esse conhecimento. Está muito avançado hoje porque anteriormente não tínhamos apoio. Hoje temos escola dentro da aldeia, na minha infância, tinha que ir pra cidade”, disse.

Participam da conferência os povos Amanayé, Assuriní do Trocará, Suruí, Xikrin do Cateté, Guajajara, Karajá, Kayapó, Guarani, Parkatejê, Kyikatejê, Akrãtikatejê, Atikun, Parakanã, Anambé. Um grupo de indígenas da Venezuela, Peru e Equador também participam do encontro. Os indígenas estão na aldeia com objetivo de trocar experiências sobre a educação escolar indígena dos países.

Mari Chiba – Seduc

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