Em junho começa pesquisa da fauna nas glebas Mamuru-Arapiuns

A partir do próximo dia 15, pesquisadores iniciam os estudos de fauna no conjunto de glebas Mamuru-Arapiuns, no oeste do Pará. As informações sobre a fauna da região vão subsidiar a elaboração do Relatório Ambiental Preliminar (RAP) e a proposta de um sistema de monitoramento de fauna, para auxiliar no ordenamento territorial da região.

As glebas formam o maior conjunto de florestas públicas não destinadas do Estado, somando cerca de 2,2 mil hectares. O ordenamento atende à lei de gestão de florestas públicas, que exige a elaboração de estudos para o licenciamento de atividades florestais.

Segundo Carlos Ramos, diretor de Gestão de Florestas Públicas do Instituto de Desenvolvimento Florestal do Pará (Ideflor), "o ordenamento ambiental e territorial do conjunto de glebas Mamuru-Arapiuns tem sido debatido de maneira bastante intensa, com participação marcante da Comissão Estadual de Florestas e de órgãos estaduais, como o Instituto de Terras do Pará (Iterpa), Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e o Ideflor. Estudos como o de fauna gerarão subsídios importantes para a tomada de decisões, seja para regularização fundiária das comunidades tradicionais, seja para as áreas destinadas a concessões florestais."

Pesquisa – Os estudos estão sendo organizados pelos pesquisadores Reinaldo Peleja, da Universidade Federal do Pará (UFPA), campus Santarém, e Orlando Tobias, do Museu Paraense Emílio Goeldi. No total, cerca de 30 pessoas estão envolvidas no trabalho. "Serão 30 dias de trabalho no campo, com o revezamento de duas equipes. A primeira começa os trabalhos no dia 15 de junho. A expectativa é que o relatório final seja entregue até o final de agosto", informou Reinaldo Peleja.

Os pesquisadores já iniciaram as discussões com as lideranças comunitárias da área. Os estudos começaram a partir do acesso ao rio Mamuru e, posteriormente, serão feitas coletas mais concentradas no entorno da comunidade Sabina, em Juruti, e Monte Carmelo, em Aveiro.

Serão observadas a fauna de solo, como aranhas, escorpiões e formigas, vespas, borboletas, mosquitos, piuns e mutucas; representantes da herpetofauna (répteis e anfíbios, como cobras, lagartos e sapos), mamíferos terrestres, voadores (morcegos) e aquáticos, a diversidade de peixes.

O objetivo é identificar a biodiversidade das glebas, verificar as regiões com espécies endêmicas e áreas de relevante interesse ecológico. "A partir disso, poderemos identificar as áreas mais voltadas para agricultura familiar, para unidades de conservação, de acordo com a presença das espécies. Os resultados darão suporte para a destinação que a região receberá", ressaltou Peleja.

Flávia Ribeiro – Ideflor

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