Pará vai qualificar estudantes com telecurso em manejo florestal

A deficiência de recursos humanos qualificados para atuar em campo nas atividades de manejo florestal poderá ser suprida com o suporte do Telecurso Manejo Florestal Sustentável, proposto pela Fundação Roberto Marinho. Protocolo de entendimentos nesse sentido foi firmado entre o governo do Pará, por meio das secretarias de Meio Ambiente (Sema) e Educação (Seduc), a Fundação Roberto Marinho, a Associação Brasileira dos Exportadores de Carne (Abiec) e Fundação Orsa. O evento ocorreu nesta terça-feira (12), em Belém, e a previsão é que o programa comece a ser implementado a partir de 2010. 

O anúncio foi feito pelo diretor de Desenvolvimento Interinstitucional da Fundação Roberto Marinho, Ricardo Piquet, que assinou o protocolo juntamente com o diretor Executivo da Abiec, Otávio Cançado, o presidente da Fundação Orsa, Sérgio Amoroso, e os secretários de Meio Ambiente, Valmir Ortega, e de Educação, Iracy Gallo. Piquet confirmou que o vice-presidente da Rede Globo, José Roberto Marinho, manifestou o desejo de contribuir com uma ferramenta específica para melhorar o manejo florestal, assegurando a sustentabilidade dos recursos da floresta. 

Na apresentação feita por Piquet, foi demonstrado que o Serviço Florestal Brasileiro deverá licitar, até 2010, cerca de 4 milhões de hectares de floresta pública. No entanto, há uma perspectiva de que esse volume chegue a 13 milhões nos próximos 10 anos, com a licitação de outras áreas, parte no Pará, que será ofertada pelo Instituto de Florestas do Pará (Ideflor). A qualidade do manejo dessas áreas dependerá da capacidade técnica que estiver em campo. 

Experiência – O Brasil possui 17 escolas profissionalizantes em técnica florestal. Piquet avalia que a Fundação Roberto Marinho pode somar com a experiência acumulada de 20 anos, no desenvolvimento de conteúdo para a formação desses profissionais. 

Para implementar com qualidade técnica os projetos de manejo que serão licenciados ou licitados serão necessários, pelo menos, 10 mil profissionais, mas esse número poderá chegar a 100 mil, de acordo com cenário do planejamento das concessões. Ricardo Piquet disse que com as parcerias da Seduc, empresas, escolas técnicas e instituições de ensino superior é possível capacitar até 5 mil alunos/ano. 

A metodologia aplicada pela Fundação Roberto Marinho é semelhante à do telecurso, mas as aulas são presenciais, em telessalas. Os alunos receberão conhecimentos em diagnóstico socioambiental, legislação, inventário florestal, plano de manejo, análise de custo, benefícios do manejo, dentre outros. De acordo com Piquet, o conteúdo será elaborado com base na realidade local, com atividades pedagógicas teóricas e práticas e utilização de materiais impressos e vídeos. 

Tema ambiental – Um dos financiadores potenciais desse projeto é a Abiec. De acordo com Otávio Cançado, ao apoiar essa iniciativa a entidade se antecipa a eventuais barreiras comerciais futuras. Ele recorda que, em determinado momento, a carne brasileira foi combatida sob o argumento da fragilidade sanitária. O Brasil venceu esse embate com a campanha de vacinação contra a febre aftosa, tornou-se o maior exportador de carne do mundo e, agora, o protecionismo do mercado se volta para o tema ambiental. 

A Abiec assume o compromisso de colaborar para ajudar a combater o desmatamento e a degradação na Amazônia, evitando uma barreira não tarifária futura. O Pará possui dois frigoríificos associados à Abiec e outros dois em construção, que também serão credenciados.

 A secretária Iracy Gallo disse que a Seduc tem todo o interesse e condições de receber os programas do telecurso, uma vez que já possui 13 escolas tecnológicas, ofertando ensino médio e sequencial , com seis mil matrículas. Duas dessas escolas oferecem curso tecnológico em manejo florestal. 

Até 2010 serão 29 escolas tecnológicas. O governo conta ainda com as Casas Famílias Rurais, onde é aplicada a pedagogia da alternância, e 300 escolas conectadas à internet de banda larga pelo Programa Navegapará. "Temos todo o interesse em discutir novas idéias e tentar implantar ações que ajudem a reduzir os índices de analfabetismo no Estado", acrescentou. 

Texto: Ivonete Motta – Secom

Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade
Travessa Lomas Valentinas, 2717, CEP: 66093-677. Belém/Pará