Seminário discute recuperação de áreas degradadas

O pesquisador Alfredo Homma, doutor em Economia Rural da Embrapa (PA), afirmou, durante seminário no Idesp, que “ainda é muito caro recuperar áreas degradadas na Amazônia”. Ele explicou que os mais de 70 milhões de hectares de áreas já desmatadas da região só podem ser reutilizados, por produtores rurais, caso os custos de recuperação destas terras sejam diminuídos, tendo em vista o aumento da produtividade e a perenidade das atividades agropecuárias.

Na palestra “Aspectos econômicos da adubação e da calagem na Amazônia”, Homma falou sobre a necessidade de intensificar a produção agropecuária, a partir da mecanização e da garantia de acesso a tecnologias e insumos agrícolas, como fertilizantes, adubos químicos e corretivos, por exemplo, e de mudar o padrão de ocupação e uso da terra como forma de enfrentar o avanço do desflorestamento e o número de queimadas na região. 

“O grande problema que nós temos é que a nossa produtividade com as atividades agropecuárias é muito baixa. Os Estados Unidos têm a metade do rebanho brasileiro e eles produzem o dobro da carne. No mercado mundial de carne, o Brasil responde por 7% da produção e os americanos 15%. Da mesma forma, hoje o estado do Pará é o maior produtor de mandioca do país, mas com baixíssima produtividade. Nós produzimos 14 toneladas por hectare enquanto o Paraná consegue tirar 30, 40 toneladas numa área de mesmo tamanho”, explicou. 

Alfredo Homma também defendeu a criação de políticas agrícolas para reduzir as áreas destinadas às pastagens, estimadas em 51 milhões de hectares; o aumento considerável de ações de reflorestamento, que respondem por 335 mil hectares, e de culturas permanentes, localizadas em 635 mil hectares; e a manutenção dos 635 mil hectares de culturas anuais. “Na Amazônia, é muito importante definir uma política agrícola como forma de se resolver os problemas ambientais. Isso depende de medidas concretas para se aproveitar estas áreas já alteradas para evitar a pressão e novos focos de desmatamentos na região”, disse ele. 

Altos preços – Dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) sobre o mercado de fertilizantes em 2008 revelam que as entregas ao consumidor final para todos os estados da região Norte representam apenas 4,7% do total nacional. 

Para o geólogo Marcelo Vasquez, da Gerência de Relações Institucionais e de Desenvolvimento do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), os custos destes insumos agrícolas, geralmente importados de outras regiões do país ou do exterior, podem ser diminuídos com uma política de viabilidade de exploração e industrialização das reservas de minerais da região Norte, que apresentam expressivas potencialidades econômicas e de uso na agricultura. 

O geólogo explicou que, para explorar uma reserva de 200 milhões de toneladas de fosfato da serra do Maicuru, localizada no município de Monte Alegre, é necessária a implantação de infraestrutura para o escoamento da produção, por meio de vias marítimas ou terrestres, e de energia elétrica para o beneficiamento do minério. “O Pará detém reservas dos principais insumos utilizados na agricultura e tem potencial para produzir corretivos agrícolas, a partir de rochas carbonáticas e fosfáticas. No entanto, a pesquisa e a exploração desses minerais são tímidas, a industrialização de corretivos carbonáticos é pequena e de fertilizantes fosfatados é inexistente”. 

Também seria necessário, segundo Vasquez, uma campanha de estímulo ao uso de insumos agrícolas e uma ação do governo de estocagem da produção excedente na entressafra, para não inibir ou desviar a produção dos pequenos empresários do setor mineral. 

Evento – As discussões sobre o “Uso de fertilizantes e corretivos para reduzir desmatamentos e queimadas na Amazônia” iniciaram na manhã desta terça-feira, 10, e seguem até o final da tarde desta quarta-feira, 11. Realizado pela parceria entre o Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp) e o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o seminário reúne representantes dos governos federal e estadual, empresas e organizações do terceiro setor. 

Durante a abertura do evento, o presidente do Idesp, Peter Toledo, destacou a necessidade de se buscar alternativas produtivas sustentáveis para o meio rural sob o ponto de vista socioeconômico, que garantam ao mesmo tempo a conservação da riqueza biológica da região. “Este seminário tem o objetivo de levantar as possibilidades, os gargalos, os entraves econômicos e as diferentes visões sobre o uso de fertilizantes na produção agrícola paraense, para que a gente entenda um pouco mais sobre as formas de intensificar a produção agrícola e melhor aproveitar as áreas alteradas existentes no estado”. 

Manfredo Ximenes Ponte, superintendente regional do CPRM, adiantou que a instituição possui um mapa geológico e o conhecimento a respeito sobre o potencial mineral do estado. “Por muito tempo, o setor mineral conviveu com a fama de destruidor do meio ambiente e agora apareceu a oportunidade de demonstrarmos a utilidade das informações sobre os bens minerais que podem contribuir para enriquecer as áreas degradadas”. 

Como sugestão de encaminhamento das discussões, Ana Cláudia Cardoso, titular da Secretaria de Estado de Governo (Segov), questionou sobre a possibilidade de correlacionar dados, como a quantidade de pessoas em situação de vulnerabilidade alimentar, com questões relacionadas à gestão do espaço rural do estado, incluindo questões logísticas e fiscais que inviabilizam a produção no campo. “De certa maneira, este tipo de questão acaba afetando a trajetória de produtores rurais, que poderiam se encontrar em condições sociais bastante diversas se os gargalos tivessem sido equacionados há mais tempo”.

Texto: Brenda Taketa e José Augusto Rodrigues (Ascom Idesp)

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