Agricultura intensiva pode frear o desmatamento

A redução das taxas anuais de desmatamento e queimadas na Amazônia depende de políticas fiscais e de opções tecnológicas adaptadas às condições socioeconômicas dos produtores rurais. É o que defende Alfredo Homma, doutor em Economia Rural e pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, que será um dos debatedores da mesa redonda “A importância da intensificação da agricultura para reduzir os desmatamentos e as queimadas no Estado do Pará”, a ser realizada nesta quarta-feira (11), no auditório do Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp), às 15h40. 

Homma explica que, por meio do processo de intensificação da agricultura, que contempla a mecanização da produção e a utilização de insumos modernos, é possível manter a fertilidade do solo e aumentar a duração das atividades agrícolas na mesma, o que diminui a necessidade de expansão de novas áreas e, consequentemente, a pressão sobre as florestas. 

O artigo “Fronteira agrícola, uso da terra, tecnologia e margem intensiva: o caso do Estado do Pará”, publicado pelo pesquisador, junto com o economista Fabrício Khoury, em 2005, exemplifica a dinâmica do desmatamento por um pequeno produtor rural. 

De acordo com o artigo, caso um pequeno produtor derrube e queime dois hectares para as atividades de roça em um período de dois anos, sendo necessária uma década para que a terra recupere a fertilidade, antes de voltar a cultivar a área original, o mesmo precisaria derrubar outros 12 hectares. “Se, em vez de cultivá-lo por dois anos, novos procedimentos tecnológicos permitissem o seu uso por três anos, acrescentando apenas um ano de uso, a área total necessária para completar o ciclo seria de oito hectares, uma redução de 1/3 na área derrubada e queimada”, diz o artigo. 

Para mitigar o desflorestamento, Alfredo Homma também aponta a necessidade de ampliação da assistência técnica aos agricultores, maiores investimentos em pesquisa agrícola e a democratização das informações sobre preços, mercados e técnicas agrícolas. “Isso vai depender de agricultores mais capacitados e, para isso, precisamos melhorar o nível educacional do meio rural como solução para o futuro, para que tenham condições de decidir seu próprio destino e opção, na busca de uma agricultura mais sustentável para a Amazônia”, defende. 

Discussões – Para Jonas Bastos da Veiga, diretor de Pesquisa e Estudos Ambientais do Idesp, que também participará da mesa redonda, as discussões sobre a intensificação da agricultura são fundamentais para o desenvolvimento sustentável do setor na região. Veiga acredita que, por meio dos avanços em ciência e tecnologia, é possível concentrar a produção em áreas mais propícias, reduzindo a pressão sobre áreas de encosta e mananciais, por exemplo. 

“Se nós soubermos usar as áreas já desmatadas, que não são poucas, e soubermos racionalizar a produção, nós conseguiremos diminuir a pressão sobre a floresta. Sem contar que, quando nós intensificamos as atividades em uma pequena área, facilitamos o transporte, o escoamento e a gerência da produção”, explica Veiga. 

A mesa redonda “A importância da intensificação da agricultura para reduzir os desmatamentos e as queimadas no Estado do Pará” integra a programação do seminário "Uso de fertilizantes e corretivos para reduzir desmatamentos e queimadas na Amazônia", uma parceria entre Idesp e Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). 

Ascom – Idesp

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