Arrastão do Pavulagem sai em defesa do meio ambiente

O Arraial do Pavulagem realizou, neste domingo 15, a sétima edição do Cordão do Peixe-Boi, um cortejo de cultura popular em defesa do meio ambiente pelas ruas do centro comercial e Cidade Velha, em Belém. O símbolo do cortejo é o peixe-boi, o boi-d’água, que chegou de barco na Escadinha do Cais do Porto (Estação das Docas), saindo da Praça Princesa Izabel. Na chegada, foi recebido pelos ritmistas da escola de samba Jurunense e pelos instrumentistas do Batalhão da Estrela, cerca de 500 pessoas. 

Os ritmos do cortejo são muitos: bangüê, retumbão, marambiré, carimbó, marcha dos cordões de pássaro, samba de cacete e cantos indígenas. “O Cordão é um exercício de cidadania cultural, quando se permite que a população tenha acesso à cultura nas ruas. É uma sensação de responsabilidade e reforço do nosso compromisso”, afirmou Valter Figueredo, coordenador do Instituto Arraial do Pavulagem, promotor do cortejo, 

Segundo ele, este ano, o Cordão faz referência ao município de Cachoeira do Arari e suas tradições culturais. “A preparação do cortejo ocorreu em oficinas realizadas de 12 a 29 de janeiro, e nos ensaios abertos já em fevereiro. Nos dias 28 e 29 de janeiro, aconteceu um seminário para discutir cultura e natureza, quando recebemos músicos, pescadores artesanais, poetas e representantes do Conselho Tutelar de Cachoeira”, disse. 

No trabalho feito em Cachoeira do Arari, em 2008, a equipe do Instituto encontrou uma caixa de boi-bumbá quadrada, um tipo de DNA próprio da cultura do município, e a partir desta caixa alinhavaram as tradições locais. 

Peixe-Boi – No arrastão das ruas, o peixe-boi amazônico é o centro da festa, montado em estrutura de pano e ferro com quatro metros de comprimento. O Cordão é um projeto educativo, artístico e de mobilização socioambiental, que visa valorizar e fortalecer a cultura popular, a solidariedade humana e a paz na sociedade. “A gente não se cansa de vir ao arrastão do Pavulagem. Chega a ser melhor que o próprio Carnaval. É mais tranqüilo, muitas famílias vêm com suas crianças. É o terceiro ano que participo”, contou Alicia Gomes, acompanhada da irmã e da sobrinha. 

Este ano, o peixe-boi teve uma “convidada” especial: a arara. Os moradores do conjunto Satélite estavam à frente do cortejo no Cordão da Arara, uma iniciativa dentro do projeto ORUBE, que começou na festa junina da comunidade, no ano passado. “É uma homenagem a outro animal em extinção; um trabalho de conscientização ambiental”, ensina Erivelton Araújo, organizador do Cordão da Arara. 

Por Fabíola Batista – Secom

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