Parque do Utinga deslumbra participantes do FSM

A típica chuvinha paraense não impediu que dezenas de pessoas, crianças, jovens e adultos, participassem do passeio da Trilha Ecológica, no Parque Estadual do Utinga, na manhã deste sábado, 31, penúltimo dia do Fórum Social Mundial. Como uma das atividades autogestionadas, o passeio na trilha foi encantador para quem gostaria de estar em mata fechada em plena zona urbana. Foi o caso das francesas Maguy Point e Natalie Willian, que não conheciam nem o Brasil nem a Amazônia. “É fantástico, muito bom”, elas repetiam diversas vezes. Com dificuldade para se comunicar, buscaram as batidas das danças regionais para fazer do idioma apenas um detalhe.

O gerente do Parque, Maurício Pascoal, afirmou que um dos objetivos de promover o passeio foi “chamar a população mundial para discutir a riqueza potencial da região amazônica”. O local é uma reserva ambiental que abastece toda a cidade e é fonte de pesquisa para universidades e instituições que trabalham a agricultura no Estado, explicou ele. Durante o percurso diversos grupos regionais enriqueceram a acolhida com apresentações musicais e teatrais. Salomão Hage, do grupo de pesquisa em Educação do Campo na Amazônia (Geperuaz) da Universidade Federal do Para (UFPA), direcionou os visitantes para as trilhas temáticas: Florestas, Rios, Indígenas e Quilombolas, Ribeirinhos e Assentados.

Na trilha dos indígenas dezenas de nativos da tribo Kaiapó entoaram cantos da floresta e apresentaram suas danças aos visitantes. Na oportunidade, Puyra Tembé, índia da tribo Tembé e coordenadora de Educação Indígena da Secretaria de Educação do Estado (Seduc), defendeu a conservação da Amazônia. “Somos nós, índios, que lutamos para proteger os rios e as florestas. Esperamos que o mundo inteiro fizesse o mesmo, pois sozinhos não teremos os mesmos resultados”, concluiu.

Depois das apresentações culturais destinadas a cada grupo temático, os participantes foram convidados a interagir na discussão para melhoria de todos os sujeitos envolvidos com a diversidade da região. Ao final, todos se reuniram e plantaram mil mudas de plantas nativas no Refúgio do Utinga – no espaço do Parque, como parte do programa “Um Bilhão de Árvores para a Amazônia”.

Os povos indígenas e da floresta ficaram localizados na clareira da Trilha do Macaco; as populações caboclas ribeirinhas ficaram na margem do lago Água Preta, as populações negras e quilombolas, na margem do canal dos Lagos Bolonha e Água Preta e as populações camponesas e assentadas, no centro de revegetação.

Parque Utinga – Criado em outubro de 1993, o Parque Estadual do Utinga é um dos maiores parques em regiões metropolitanas do Brasil, com 1.340,10 hectares. Lugar de grande beleza natural, o Peut está ligado diretamente à preservação dos lagos Bolonha e Água Preta, responsáveis pelo abastecimento de água à população da Região Metropolitana de Belém, cerca de 1.408.847 pessoas, segundo o IBGE.

O espaço é voltado à proteção de ecossistemas vegetais – espécies de terra firme e várzea – e da fauna da região. O parque apresenta um reservatório com 62 espécies de mamíferos, 26 famílias com 112 espécies de aves, 65 espécies de répteis, e aproximadamente 49 espécies de anfíbios.

Texto: Ascom Seduc

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