Marina Silva defende mudança de modelo de desenvolvimento

A senadora e ex-ministra do meio ambiente, Marina Silva, causou alvoroço nesta terça-feira (27) na tenda dos 50 anos da Revolução Cubana, montada no território do Fórum Social Mundial, em Belém. Ela participou de uma rodada de depoimentos sobre o líder seringueiro Chico Mendes, morto em 22 de dezembro de 1988, e defendeu a mudança do modelo de desenvolvimento para a preservação do meio ambiente e desenvolvimento humano na Amazônia. 

Marina Silva disse que o Fórum Social Mundial ocorre no momento em que essa geração vive uma “interpelação ética”, um dilema para com as gerações futuras e com as gerações passadas que, por meio de suas ações, tornaram a consciência ambiental mais presente no mundo. “Ações de pessoas como Chico Mendes e Nelson Mandela anteciparam o futuro, o momento em que vivemos. Devemos a eles essa consciência. E que futuro estamos reservando para as gerações que ainda não nasceram?”, questionou. 

Também presentes à rodada de depoimentos sobre a vida de Chico Mendes, o chefe da Casa Civil, Cláudio Puty, e o secretário de meio ambiente do Governo do Estado, Valmir Ortega, defenderam a mudança de modelo de desenvolvimento em curso no Estado. “É preciso dar continuidade ao modelo de desenvolvimento que nós iniciamos para preservar a floresta e, ao mesmo tempo, dar condições de desenvolvimento humano na Amazônia”, disse Puty. 

Valmir Ortega disse, por sua vez, que o grande problema para a preservação ambiental no Estado do Pará é o “caos fundiário”. Ele usou esse termo para definir a situação de terras públicas, saqueadas por grileiros e o problema histórico com a demarcação e titulação de terras. “O governo tem feito um esforço muito grande no sentido de resolver o problema, ação que vem integrada às ações de fomento de atividades sustentadas no nosso Estado”, ressaltou ele. 

Marina Silva disse que é preciso ressaltar o modo como Chico Mendes liderava, através do exemplo e ouvindo mais do que discursando. “Ele não tinha problema em dividir autorias com os companheiros e trouxe a consciência ambiental para junto dos movimento sociais”, disse ela. 

A ex-ministra ainda criticou o Fórum Econômico Mundial, dizendo que o FSM antecipou a crise financeira que está em curso no mundo hoje. “Talvez o fórum econômico devesse ter enviado emissários a este fórum, pois aqui é uma pororoca de idéia, mas também é uma pororoca de soluções”, disse ela. 

Outra critica ao modelo econômico neoliberal saiu da boca de Marina quando ela afirmou que a crise mobilizou recursos para o salvamento do sistema financeiro. “Rapidamente surgiu o dinheiro para salvar os bancos", disse ela. "Isso prova que há dinheiro para mudar o modelo econômico e investir em um sistema produtivo sustentável”, ressaltou. 

Por Elielton Amador – Secom

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