Sindicalistas discutem as mudanças climáticas

Sindicalistas do mundo inteiro reúnem-se no Fórum Sindical Mundial, um evento paralelo ao FSM, que ocorre na Tenda “Mundo do Trabalho”, na UFPA. Na tarde desta qurta-feira 28, ocorreu uma mesa sobre as mudanças climáticas e as suas implicações para o mundo do trabalho, com as presenças de Rômulo Martins, presidente da Central Única dos Trabalhadores – Pará (CUT-Pará), Bheki NtshAlintshali, da Central Sindical dos Trabalhadores da África do Sul, Victor Baez, da Confederação Sindical das Américas e Gilles Letort, da Central Geral dos Trabalhadores da França. 

Rômulo Martins defendeu que o mundo olhe para a Amazônia não apenas com uma reserva de recursos naturais, mas levem em conta os milhões de pessoas que aqui vivem. “Cada pedaço desse grande continente tem uma peculiaridade que precisa ser respeitada. Para se desenvolver a Amazônia é preciso consolidar a dignidade dos povos”, enfatizou. 

Ele afirmou ainda que o movimento sindical deve agir mais para frear a mudança climática, segundo ele causada pela ganância do capital. “É muito bom escrever panfletos e discursos, mas precisamos de ação”, disse. 

Para Bheki, os trabalhadores, pobres, mulheres e crianças são os mais afetados pela mudança climática. “Devemos defender os trabalhadores informais que são vulneráveis e também devem ser incluídos nessa discussão”, opinou. 

Bheki lembrou da responsabilidade dos países desenvolvidos em reduzir as emissões de carbono, como ficou acordado pelo Protocolo de Kioto. Até 2020, esses países deveriam reduzir em 30% as emissões de carbono. 

Já o paraguaio Victor Baez remeteu-se à atual crise mundial, destacando que ela não é só financeira. “Esta é uma crise antes de tudo ambiental e energética. O seu aspecto financeiro não pode ser um impedimento ao enfrentamento do aquecimento global”, afirmou. Baez também comentou sobre a “diferença” existente entre o Brasil e o Paraguai em relação à energia. Para ele, essa discussão deve ser levada para o Mercosul, para que todos os países entendam as necessidades de cada um nesse setor. 

O último a se pronunciar foi Gilles Letort, que concordou com Baez sobre a extensão da crise, que tem raízes nas desigualdades sociais. “Essa crise reside no desperdício de recursos, e por isso se torna uma crise econômica. É preciso que a economia esteja a serviço do homem, e não o inverso”, asseverou. 

Letort acusou a União Européia de fazer um “falso desenvolvimento sustentável”, porque a lógica do mercado, de competir uns contra os outros, não foi alterada. “A UE não desempenha ainda seu papel”, concluiu. 

O Fórum Sindical Mundial segue até 30/01, e tem realização das principais centrais sindicais do Brasil e do mundo, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT) e Confederação Sindical Internacional (CSI). 

Por Alan Araguaia – Secom

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