Ciência para desenvolver e preservar a Amazônia

Sem ciência e tecnologia, a Amazônia não vencerá seu principal desafio: desenvolver-se economicamente, aumentando a produtividade média da população e preservando a floresta e os recursos naturais. Essa é a constatação da Academia Brasileira da Ciência (ABC), que lançou na manhã dessa terça-feira, na Universidade Federal do Pará, o estudo “Amazônia, desafio brasileiro do século XX – a necessidade de uma revolução científica e tecnológica”. 

O documento, definido como uma “Proposta da ABC para um Novo Modelo de Desenvolvimento para a Amazônia”, traz uma avaliação das principais atividades econômicas da região, bem como de toda a rede existente envolvendo ciência e tecnologia (universidades, institutos, instituições de pesquisa, fundações de amparo à pesquisa, entre outras) e levanta as principais demandas e necessidades de ampliação e/ou implantação. 

Para o presidente da ABC, Jacob Palis Júnior, a Amazônia ocupa o centro das preocupações estratégicas do Brasil e do mundo e só há uma forma de deixar de ser preocupação para ser solução: por meio da ciência e da tecnologia. 

O reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Alex Fiúza de Melo, lembrou que “muita tecnologia e muita ciência podem até ser importadas, mas não há modelo que se importe sobre desenvolvimento de uma região de floresta tão imensa e tão diversa”. Para o reitor, “outros países se desenvolveram explorando as florestas até a extinção, mas não deixaram um modelo de desenvolvimento sustentável”. 

Diante deste cenário, para Alex Fiúza de Melo, “temos um desafio universalmente amazônico e amazonicamente universal: ser o primeiro país tropical plenamente desenvolvido”. 

O titular da Secretaria Estadual de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia (Sedect), Maurílio Monteiro, afirmou que muitas das propostas elencadas pelo estudo da ABC já estão sendo praticadas no Pará, “basta dizer que, nos dois últimos anos, aumentamos em mais de 10 vezes os investimentos em ciência e tecnologia”. 

O secretário lembrou que os esforços estaduais na área se coadunam com a construção do Sistema Regional de Inovação (Sipi), que integra universidades, governo do Estado, instituições de pesquisa e empresas no desenvolvimento de novos (e amazônicos) produtos . 

“As estratégias anteriores incentivadas no Pará seguiam o modelo mecânico e químico; hoje, é informacional e bioquímico, no qual se destacam, entre outras ações, a construção de três parques de ciência e tecnologia, em pólos de desenvolvimento do Estado e foco de pesquisa de acordo com as demandas sociais e vocações econômicas da região de instalação”, assinalou Maurílio Monteiro. 

Maurílio também destacou o programa Navegapará, que vai interligar escolas, hospitais, delegacias e outros órgãos públicos em mais de 50 municípios, além de levar internet gratuita e de qualidade à população, por meio de infocentros públicos. 

O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFPA, Roberto Dall’Agnoll, que ajudou na elaboração do estudo da ABC, destacou que a meta principal é fornecer as bases para a construção de um novo modelo de desenvolvimento para a Amazônia, baseado na maior intensidade de ciência e tecnologia na economia e nas demandas sociais. Para tanto, o documento propõe um incremento extraordinário dos recursos para a ciência na região, sobretudo pelo governo federal. 

O estudo da ABC propõe um total de recursos der R$ 30 bilhões nos próximos dez anos. As verbas seriam aplicadas, principalmente, na construção de estrutura física (como universidades e institutos tecnológicos) e na formação, atração e fixação de doutores e pesquisadores (veja abaixo quadro com as metas urgentes propostas pela ABC). 

Participaram da reunião na UFPA reitores de várias universidades e diretores de e representantes de instituições e secretarias do Pará, Maranhão, Amapá e Mato Grosso. 

Desafios Urgentes (propostos pela ABC) 

– Criação de novas universidades públicas, atendendo às meso-regiões que possuem densidades populacionais que justifiquem tal investimento. 

– Criação de institutos científico-tecnológicos associados ao ensino e pesquisa tecnológica, descentralizando a infra-estrutura de C&T e permitindo a articulação de uma rede de grande capilaridade. 

– Ampliação e fortalecimento da Pós-Graduação, expandindo de forma expressiva a formação, atração e fixação de pessoal altamente qualificado em C,T&I. 

– Fortalecimento das redes de informação na região, dotando-a de uma rede com banda mínima de 2 Gpbs. 

Edson Coelho / Sedect

Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade
Travessa Lomas Valentinas, 2717, CEP: 66093-677. Belém/Pará