Governadora coloca a Amazônia na pauta do Mercosul

A questão ambiental e o desenvolvimento sustentável da Amazônia são pautas que devem ser discutidas por todos os paises do Mercosul. Foi o que defendeu nesta segunda-feira 15, a governadora Ana Júlia Carepa, durante a realização da IV Reunião Plenária do Fórum Consultivo de Municípios, Estados Federados do Mercosul (FCCR), na Costa do Sauípe, litoral norte da Bahia. 

Tanto durante a entrevista coletiva, concedida no final da manhã, como no início da plenária, no início da tarde, a governadora, na condição de presidente do Comitê de Governadores do FCCR, enfatizou a necessidade de fortalecimento dos laços econômicos, sociais e culturais com os paises que formam o bloco continental da América do Sul.

Ao lado do governador da Bahia, Jacques Wagner, e dos ministros José Múcio Monteiro, das Relações Institucionais, e Gedel Vieira, da Integração, a governadora paraense defendeu e assinou o termo de adesão à Estratégia do Trabalho Decente, uma proposta da Organização Internacional do Trabalho (OIT). 

Ela afirmou que em tempo de crise internacional, há uma tendência de muitos em tentar precarizar as relações de trabalho. “Mas os trabalhadores” enfatizou, “não podem pagar a conta dos que apostaram na especulação financeira e tentam repassar o ônus à parte mais frágil da sociedade”. 

A plenária do FCCR serviu para a assinatura de acordos multilaterais e bilaterais entre estados brasileiros e províncias de diversos paises do continente.

O evento contou com a presença de prefeitos e governadores, além de representantes de organismo internacionais e serviu para consolidar um dos principais objetivos do FCCR, que é a descentralização da pauta do Mercosul.

Isso ficou bem claro quando a governadora Ana Júlia Carepa disse aos jornalistas que até bem pouco tempo atrás, o Mercosul parecia um organismo que só interessava aos estados do sul do Brasil. 

Fórum Social Mundial – A aproximação do Pará com a Venezuela e da província de Santiago del Estero, na Argentina, são exemplos do quanto “vemos na cooperação o grande caminho para o desenvolvimento de nossos povos”, destaca a governadora, aproveitando para convidar todos os participantes da plenária a participarem Fórum das Autoridades Locais da Amazônia (Fala), articulação criada por proposta dela, que vai se reunir pela primeira vez em Belém, durante o Fórum Social Mundial (FSM), a ser realizado entre 27 de janeiro a 1º de fevereiro de 2009. 

“Teremos a honra de reunir governantes de todo o mundo, no evento denominado FAL-FALA, onde os companheiros do Mercosul, dos Andes, do Caribe, do Prata, da Patagônia e da Amazônia terão a possibilidade de dialogar com nossos congêneres da África, da Ásia, da Europa e de toda a América, estabelecendo, assim, um diálogo produtivo na certeza de que um outro mundo é possível”, disse a governadora, referindo-se ao objetivo central do FSM. 

Um bilhão de árvores – Como exemplo de possibilidades de construção de um modelo que trabalha com a inclusão social, a governadora Ana Júlia Carepa citou algumas políticas públicas do seu governo como a implantação de uma alternativa de caráter econômico de combate ao desmatamento, o programa “Um bilhão de árvores”, que visa recuperar áreas alteradas, propõe o reflorestamento e a recomposição da cobertura vegetal, oferecendo marco legal e segurança jurídica para o setor privado, e políticas públicas diretamente relacionadas ao pequeno produtor agro-extrativista. 

A governadora anunciou também que nas áreas de floresta em pé, “buscamos a implementação de programas de compensação por serviços ambientais, assumindo nossa responsabilidade local, e conclamando o mundo a assumir conosco essa responsabilidade que é global”, disse ela. 

Nesta terça-feira 16, começa a reunião de chefes dos paises que integram o Mercosul e também de organizações da região dos Andes e do Caribe. Ao todos são aguardados 33 presidentes e suas delegações, num total de cerca de 4 mil pessoas para a realização da 36ª Reunião do Mercosul. 

Intercâmbio entre estados organismo de pesquisas – Um convênio para estreitar as pesquisas agropecuárias entre os estados e províncias do Mercosul foi assinado na tarde desta segunda-feira 15, entre representantes de diversos autoridades locais e a empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuária (Embrapa), durante a IV Reunião Plenária do FCCR.

O compromisso visa o intercâmbio tecnológico de ponta entre os institutos nacionais e dos estados que integram o Mercado Comum da América do Sul. Será formada a Rede de Pesquisas Agropecuária a fim de garantir que os produtos tecnológicos possam chegar aos pequenos produtores de todos os paises do Mercosul. 

Alexandre Padilha, sub-chefe de Assuntos Federativos de Assuntos Institucionais da Presidência da República, fez um balanço dos últimos seis meses de atuação do FCCR. Ele destacou a presença constante de governantes nas reuniões e eventos do organismo e a realização de uma rodada de integração produtiva da Frente Norte do Mercosul, realizada em Manaus, em setembro último. 

Destacou também a assinatura de diversos acordos bilaterais de cooperação; a Feira Internacional da Amazônia; a ampliação das relações Pará-Venezuela; e o protocolo de intenções entre os governos do Mato Grosso do Sul e Paraná a fim de viabilizar a Ferrovia Mercosul. 

Padilha lembrou ainda que diversas demandas das autoridades locais pautaram reuniões ministeriais do Mercosul, como foi o caso do cadastro unificado de turismo. Ele citou que em 2002 o Brasil mantinha 35% das suas relações comerciais com os Estados Unidos da América. “Se naquela época tivéssemos decidido fortalecer a Alca, hoje teríamos uma situação muito diferente”, disse.

Em 2008 apenas 14% das relações comerciais brasileiras são com os EUA, enquanto que as trocas com os países do Mercosul e outros países já alcançam 35%. 

O representante da Presidência da República encerrou seu pronunciamento citando uma frase do presidente Lula, que sintetiza a necessidade de prefeitos e governadores influenciarem e repercutirem as pautas do Mercosul. “Como todos sabemos, o êxito do nosso Bloco depende, e muito, desta aproximação entre a política externa e o cidadão comum, entre os acordos que se realizam nas cúpulas presidenciais e o cotidiano do agricultor, do empresário e dos trabalhadores de nossos países”. 

Por Paulo Roberto Ferreira – Secom

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