Sema faz novas apreensões de madeira ilegal na orla de Belém

A faixa de extensão da orla de Belém, com inúmeros portos irregulares da carga e descarga de mercadorias, tem sido alvo de operações sistemáticas dos fiscais da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), que, na tarde desta quarta-feira (12), voltaram a fazer novas apreensões de madeiras ilegais procedentes do interior do estado.

Um das ações da Sema foi no porto São Domingos, na avenida Bernardo Sayão (Estrada Nova), no bairro do Guamá, onde os fiscais do órgão ambiental, com apoio de uma equipe da Delegacia de Meio Ambiente (Dema), apreenderam 270.018 m3 de “madeira trabalhada”, ou seja, portas, janelas e esquadrias.

Segundo o fiscal Jorge Paixão, da Sema, “a madeira veio do Município de Portel, região do Marajó, em uma balsa, e foi apreendida por volta de 11h. Na Guia Florestal foram declarados 63 m3, mas na recontagem do volume (cubagem), constatamos a diferença declarada”.

Ainda no final da tarde de ontem, a Sema iniciou o transporte da madeira para a área da Pirelli, Município de Marituba, onde a secretaria refaz a contagem da volumetria, classifica e estoca as espécies para os leilões administrativos que o governo estadual vem procedendo ao longo deste ano, inclusive com a madeira ilegal resultante das operações no Município de Tailândia.

“A maior parte do material apreendido foi construída em angelim e sucupira. É a chamada “madeira vermelha”, usada na movelaria para fabricar móveis e pisos nobres”, esclareceu a fiscal  Adna Suane, da Sema. Nesta quinta-feira (13), o restante da madeira será transportada para a Pirelli.

Exportação – Simultaneamente à operação na orla de Belém, uma outra equipe da Sema, desta vez  em parceria com fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), apreendia 456 m3 de madeira de primeira linha, destinada à exportação.

A ação foi deslanchada no porto de uma transportadora que opera cargas no Distrito de Outeiro, a 26 km de Belém, que trouxe a madeira de Itaituba para cinco grandes empresas de exportação. Entre as espécies, cerca de 80% é de ipê, produto com o metro cúbico cotado no mercado nacional a R$ 1.900,00. Mas no lote ilegal foram encontrados jatobá e muiracatiara. 

“O produto, sem origem comprovada e vendido por uma empresa fantasma, estava sendo monitorado pelo Ibama, que investiga esse tipo de fraude na região”, lembra a Gerente de Fiscalização Florestal da  Sema, Eleni Cunha.

Há fortes suspeitas na Sema que essa madeira tenha sido retirada ilegalmente do Parque Nacional da Amazônia (Parma), localizado a 370 km de Santarém e com área em vários municípios dos estados do Pará e Amazonas.

A fiscalização da Sema vai iniciar o transporte dessa madeira nesta sexta-feira (14), a partir das 8h, também para a área da Pirelli em Marituba. Os 456 m3 estão guardados no pátio da empresa Majonave, em Outeiro, onde a Sema assinou o Termo de Apreensão e Depósito (TAD). A empresa de navegação apenas fez o transporte da madeira, segundo os fiscais da secretaria que ficou como fiel depositária da carga.

Esplanada – Em outra ação de campo, nesta mesma quarta-feira, fiscais da Sema e Ibama vasculharam uma extensa área entre os municípios de Portel e Pacajá, na região do rio Aruanã, e constataram a existência de 4 mil m3 de madeira derrubada ilegalmente.

A madeira estava camuflada em locais chamados de “esplanada”, uma espécie de depósito clandestino aberto no meio da floresta e cavado à margem de rios inacessíveis para dificultar as operações de fiscalização pelos órgãos ambientais na Amazônia. 

O truque até que funcionou, e no sobrevôo de helicóptero que o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, fez na área na última vez em que veio ao Pará, em 20 de outubro passado, ninguém viu nada. 

A madeira só foi descoberta, por puro acaso, quando fiscais da Sema retornaram à área, semana passada, para recolher as espécies que foram doadas pelo ministro Minc ao Estado do Pará , percorreram outras localidades e descobriram a referida “esplanada”.

Somados aos 6 mil metros cúbicos já aprendidos nas operações do Ibama, somente nessa área do Pará, serão 10 mil m3 de madeira de primeira linha a ser transportados pela Sema para Belém, numa logística complexa, assegura o Coordenador de Fiscalização da secretaria, Bruno Versiani.

O dinheiro arrecado nos leilões com madeira apreendida está sendo destinado ao reaparelhamento da Sema, especialmente nas áreas de reforço da fiscalização de campo e no monitoramento tecnológico de espaços visados pelo desmatamento ilegal.

 

Texto : Douglas Dinelli – Sema

Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade
Travessa Lomas Valentinas, 2717, CEP: 66093-677. Belém/Pará