Governo intensifica combate ao desmatamento

Controle tem que ser mais intenso

“E nesse esforço estão governo e sociedade, os setores produtivos. Está ficando claro para o Brasil e para o mundo esse esforço conjunto de combate, mas ele ainda é insuficiente e nós temos que fazer muito mais. Portanto o que os dados indicam é que o nosso controle de fiscalização e monitoramento tem que ser intensificado”, afirmou o secretário.

Ortega alertou que a reação de vários setores locais à operação Arco de Fogo e às fiscalizações mais intensas da Sema, colaboram para os números do Inpe que refletem uma fiscalização ainda insuficiente, sendo necessário melhorar e ampliar a capacidade de controle, monitoramento e fiscalização.

“Tudo isto, sob pena, aí sim, de nós comprometermos a economia do Estado, comprometermos os empregos, no momento em que nós não formos capazes, de fato, de assegurar que a economia da região amazônica, do Pará, pode seguir cumprindo a lei e respeitando o meio ambiente”, concluiu Valmir Ortega.

Tendência é de diminuição da pressão

Também é preciso levar em conta o reaquecimento da economia na Amazônia, que empurrou para cima os índices fechados pelo Inpe, e este aspecto pode justificar a pressão pelo crescimento com desmatamento, motivado por vários fatores, e aí se incluem as commodities agrícolas (principalmente a soja) e a revalorização da pecuária, com o preço do boi disparando no mercado, lembra o secretário.

“Aqui no Pará, por exemplo, nós tivemos o fim da zona bloqueada por conta da febre aftosa. Ou seja, todo um ambiente de expansão da atividade pecuária na Amazônia, sobretudo no Estado, o que obviamente pressionou e tensionou, também, a ampliação pelo desmatamento”, explica Ortega.

Em meio a todo esse cenário de destruição da floresta, um alento. “O sistema de Detecção do Desmatamento (Deter) começa a exibir, agora, dados que estão demonstrando que essa tendência de pressão de crescimento vai ser menor do que os primeiros números anunciados, o que significa, em certa medida, no resultado do esforço que a sociedade paraense tem feito para tentar combater a pressão do desmatamento ilegal”, afirmou.

Economia fica exposta com desmatamento

Para o secretário Valmir Ortega enquanto o Pará não acabar com o desmatamento ilegal a economia vai estar sempre exposta, porque o mercado nacional e o mundo já não aceitam essa postura contra a natureza e cada vez mais estarão se protegendo em relação aos riscos, para não serem contaminados com produtos de origem ilegal.

“Seja a pecuária, a agricultura ou a atividade florestal, não é à toa que a gente tem observado uma forte movimentação do setor produtivo local – Fiepa, Faepa e Aimex – para sinalizar iniciativas, esforços, no sentido de diferenciar os seus produtos, a sua cadeia produtiva, daquilo que é produção ilegal", comemora o secretário.

Valmir Ortega reconhece que esse processo de mudança ainda é difícil de se estabelecer em função dos altos números do desmatamento. Ele acredita que a única forma de proteger a economia paraense, as atividades agrícolas e florestais, é reduzir o desmatamento ilegal no Pará.

Índice caiu 20% na região

Segundo o Inpe, o desmatamento na Amazônia Legal teve uma redução de 20%, no último mês de junho, o que significa uma devastação de 870 km2, contra 1.096 km2 em maio deste ano – uma extensão do tamanho da cidade do Rio de Rio de Janeiro.

Em junho, Pará teve um aumento de 91%, algo em torno de 499 km2, em relação a maio quando os satélites acusaram um índice de 262 km2. Avaliações técnicas do Inpe, porém, atribuem este aumento a uma maior escala de observação no mês de junho, já que em maio último uma área de cerca de 40% do estado foi “vista” pelos satélites. Em junho, a faixa de observação foi para 75% da área do Estado.

Na região da Terra do Meio, sudoeste do Pará, o desmatamento, no mesmo período, caiu 80%, ainda segundo o Inpe. Essa área já registrou altos índices de derrubada da floresta por conta de atividades pecuárias e madeireiras ilegais. O Ministério do Meio Ambiente (MMA) relacionou essa queda às ações de combate ao desmatamento iniciadas ainda com a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva.

Número menor do que o esperado

“A divulgação dos índices têm sido importante para o Estado, sobretudo na ação integrada com o Ibama, seja nas operações Arco de Fogo, seja na Guardiões da Floresta, para nós identificarmos aqueles municípios que estão tendo maior pressão e possamos reorientar o nosso planejamento de fiscalização e monitoramento”, disse Ortega.

Do ponto de vista dos percentuais, se cresceu ou diminuiu, o importante, para ele, é observar os dados de um ano, pelo menos. “O indicativo para 2008 é de que está havendo crescimento do desmatamento em relação a 2007. Mas, os dados nesses últimos meses, relevam também quedas e indicam números menores do que era esperado”, analisou o secretário.

Valmir Ortega disse ainda que “os dados do Inpe nos levavam a crer que o desmatamento em 2008 seria muito maior do que em 2007. Isto nos sinaliza que o esforço de fiscalização, pode ter sortido algum efeito. É só relembrar as projeções que estavam sendo desenhadas no final de 2007. Indicavam um risco de crescimento muito grande em relação ao ano anterior”, destacou o secretário.

Os índices do INPE confirmam a tendência de crescimento, “mas não é tão impactante como estava sendo previsível pelos números projetados inicialmente”, afirmou Ortega.

Governo combate desmatamento

Ações mais articuladas e intensificação da fiscalização. Estas foram algumas das sugestões para melhorar o combate imediato ao desmatamento no Estado feitas pelo secretário de Meio Ambiente, Valmir Ortega, ao analisar os índices do desmatamento no Pará, divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), de São José dos Campos (SP), na última segunda-feira (28).

Ortega destacou que, apesar do aumento de 91% nos índices de desmatamento, no mês de junho, uma área crítica, como a região da Terra do Meio, no Oeste do Estado, sofreu uma redução de 80%, indicando a tendência de queda já que houve uma diferença muito grande nos dados apresentados pelo sistema de Detecção do Desmatamento (Deter) em relação a maio por causa da presença de nuvens que dificultam a observação pelo satélite.

"Os dados indicam uma tendência de queda na pressão de crescimento que deverá ser menor do que os primeiros números anunciados, o que significa, em certa medida, no resultado do esforço que a sociedade paraense tem feito para tentar combater a pressão do desmatamento ilegal", disse o secretário.

Douglas Dinelli- Sema 

Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade
Travessa Lomas Valentinas, 2717, CEP: 66093-677. Belém/Pará