Governo do Estado vai estimular o reflorestamento

O governo do Pará está preparando um grande programa de reflorestamento e estímulo ao plantio de florestas, que prevê a recuperação de áreas degradadas, sobretudo nas regiões nordeste, sul e sudeste, que somadas, estima-se, atingem um percentual próximo a 13% da área total do Estado.

A idéia é assegurar condições legais para restauração das áreas devastadas, mas por outro lado, assegurar ao produtor rural, seja grande ou pequeno, ganho econômico do investimento que terá que fazer. O governo também incentivará o plantio em escala como forma de estimular a atividade madeireira sem a necessidade da derrubada da floresta.

Para conhecer o potencial instalado de produção de mudas e distribuição de sementes nativas e exóticas, o secretário de Estado de Meio Ambiente (Sema), Valmir Ortega, o presidente do Instituto de Terra do Pará (Iterpa), José Héder Benatti e a presidente do Instituto de Desenvolvimento Florestal (Ideflor), Raimunda Monteiro visitaram na manhã desse sábado (19), o Laboratório de Mudas e Sementes de Espécies Florestais da Amazônia da Associação das Indústrias Exportadoras do Estado do Pará (Aimex), localizado no município de Benevides a 25 quilômetros de Belém.

Inaugurado em 1997, o laboratório foi montado com o apoio do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e do governo paraense, por meio da então Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (Sectam), hoje Sema. De acordo com o coordenador do laboratório, Éder Ramos, em 2007 foram produzidas aproximadamente 100 mil mudas e 10 milhões de sementes, estas, colocadas no mercado depois de receber tratamento adequado. Cerca de 70 mil mudas foram vendidas para as empresas de reflorestamento do próprio Pará e o restante, para outros Estados.

O carro-chefe são as espécies popularmente conhecidas como paricá, teca (uma exótica) e o mogno, para as quais já existe um mercado consolidado. Espécies como a andiroba, freijó, ipê, cedro, maçarandubs, angelim, louro, sucupira e outros são adquiridas por sitiantes e por produtores que querem fazer recuperação de área degradada. O laboratório também investe na produção de frutíferas. Segundo dirigentes da Aimex, hoje ele é auto-suficiente.

A área de 20 hectares possui vários experimentos e este ano, com o apoio da Organização Internacional de Madeira Tropical (OIMT), deverá ampliar a produção para 150 mil mudas. Além de produzir mudas e preparar sementes o laboratório promove atividades de educação ambiental, planejadas em conjunto com as escolas da rede pública dos municípios de Benevides, Santa Bárbara e Belém. Cerca de 10% das mudas são doadas para escolas e instituições sem fins lucrativos.

O alto valor comercial da madeira tem levado muitos produtores a investirem no reflorestamento. Estima-se hoje que o Pará possua 200 mil hectares de áreas reflorestadas, sendo 90 mil hectares de espécies nativas e 110 mil com exóticas, principalmente o eucalipto. "A área de expansão é enorme e hoje o Estado já detém tecnologia para fazer a recuperação com aproveitamento comercial", avalia o engenheiro florestal Evaristo Terezo.

O investimento médio para um hectare de floresta plantada – do preparo do solo e manutenção até o terceiro ano de plantio – é de aproximadamente R$ 3 mil. Para espécies como o paricá, que pode ser cortada a partir dos sete anos é possível obter entre 80 e 90 metros cúbicos de madeira por hectare, que vendido na forma de tora, poderá resultar em uma receita entre R$ 5,7 mil a R$ 6 mil.

Quanto mais industrializada maior será o seu valor agregado. O reflorestamento está sendo apontado como uma possibilidade de diversificação econômica da propriedade, especialmente para quem já tem uma atividade estabelecida, como a pecuária, por exemplo.

Criar condições para o plantio de receita futura, destinado tanto à produção de madeira quanto de produtos não-madeireiros é o desafio a que o governo do Pará se propõe na área florestal. Para isso deverá direcionar seus esforços para construir uma base legal que leve em conta as particularidades da Amazônia nos aspectos culturais, sociais, ambientais e econômicos.

Texto: Ivonete Motta – Sema

 

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