UTE resguarda expansão da Vale

A geração de energia própria é condição indispensável para que a Companhia Vale do Rio Doce leve adiante seus projetos de expansão e novos negócios uma vez que não há oferta energética prevista a partir de 2010, segundo a empresa. Este cenário, justifica a Vale, levou à necessidade de implantação da UTE Barcarena.

De acordo com os Estudos de Impactos Ambientais (EIA) apresentados pelo empreendedor, a térmica vai utilizar carvão mineral pulverizado como insumo para a geração de energia. Vai gerar 3.500 empregos no pico da obra e 120 na fase de operação. Se licenciada, o prazo de implantação será de 30 meses. O arranjo geral prevê a utilização de uma área de aproximadamente 120 hectares distribuída em área de porto; correia transportadora; pátio de cinza e gesso, dentre outros.
O projeto da UTE Barcarena prevê capacidade instalada para gerar 600 megawatts de energia/ano, dos quais, 300 MW serão utilizados pela CVRD e os 300 MW restantes disponibilizados no Sistema Interligado da Região Norte. 
Um balanço sobre o setor energético apresentado pela Vale nas audiências públicas de Acará e Moju informa que se o Brasil crescer 4% ao ano, vai precisar de mais 2 mil de MW/ano; 5% ao ano, necessitará de 3 mil de MW/ano. Esse cenário de crescimento econômico aponta para um racionamento a partir de 2010, já que os projetos de geração em implantação são insuficientes para atender as novas demandas, segundo a empresa. Ou seja, os projetos estruturantes estariam atrasados e as empresas estão buscando alternativas de geração própria para reduzir os riscos de um provável apagão. A expectativa na nova geração gira em torno dos empreendimentos do Complexo do Madeira, com a construção das usinas Jirau e Santo Antonio, em Rondônia e Belo Monte, no rio Xingu, no Pará. Nenhuma delas será concluída até 2010.
A Vale do Rio Doce participa de alguns desses aproveitamentos hidrelétricos, como a AHE Estreito (com participação de 30%), Santa Izabel (43,85%) ainda em fase de licença e a UTE Baracarena, se licenciada, e estuda participar do empreendimento Belo Monte.
Em 2006 a empresa consumiu cerca de 2 mil MW para atender todos seus negócios, sendo 1.085 MW somente no Pará, que corresponde a 4% da energia gerada no Brasil e 2,3% no Pará.
Até 2015 a empresa planeja expandir suas unidades ou iniciar novos negócios, mas para isso são necessários mais 700 MW de energia, totalizando um consumo estimado de 1.800 MW/ano. Dentre esses projetos constam Carajás, Pará Pigmentos, Hidromineral, Vermelho, Salobo, 118, Onça Puma, Serra Sul e ABN Refinaria, somente no Pará.
Atualmente a Vale compra toda energia disponível da Eletronorte, no entanto, diz que não há oferta para atender novos negócios. A empresa assegura que na análise da matriz energética nacional, a UTE foi a que apresentou maior viabilidade.
A Vale afirma que o empreendimento utilizará tecnologia comprovada e segura, com a utilização de dois equipamentos de alta eficiência no controle ambiental que é o dessulfurizador, que vai ajudar a reduzir a emissão de gases na atmosfera, sobretudo o óxido de enxofre e óxido de nitrogênio, e o carvão mineral advindo da Colômbia, que possui baixo teor de enxofre.
Dados apontados pela empresa mostram que o Brasil emite 1,3 bilhão de toneladas de CO2 na atmosfera a cada ano. A UTE Barcarena emitirá 2,2 milhões de toneladas que corresponde a 0,16% das emissões totais. O lançamento de gases na atmosfera é uma das principais preocupações dos participantes, bem como o pátio de cinzas e gesso. Os resíduos estão previstos para serem estocados em uma área de 40 hectares (para 5 anos de operação) sobre uma manta de polietileno. Para evitar que o resíduo se espalhe, o projeto prevê a aspersão de água e compactação das pilhas. A empresa assegura que a cinza é inerte, ou seja, não-tóxico e pode ser manuseada sem risco.
A UTE está localizada em um ponto estratégico para a Vale: próxima à disponibilidade da água, no caso, o rio Pará; do porto de Barcarena e do Sistema Interligado da Região Norte. É no Pará que estão projetados os grandes empreendimentos da empresa, seja pela expansão ou implantação de novos negócios, dentre eles uma nova planta de alumina em Barcarena, se utilizando da bauxita explorada em Paragominas.
A empresa, após questionamentos do Ministério Público, informou que a vazão do rio na estiagem é de 3 mil metros cúbicos por segundo, que significa 3 mil litros de água, enquanto a UTE vai se utilizar de 0,5 m3/segundo ou 500 litros por segundo ou algo em torno de 17 milhões de m3 por ano. Depois de tratada esta água seria devolvida ao rio na condição de efluente.
A empresa prevê a capacitação de mão-de-obra local para empregar pessoas da região. Consta ainda programas de saúde ocupacional e a construção de um ambulatório na planta da UTE, além de promover um acompanhamento de infra-estrutura de saúde para verificar impactos e se, necessário, fazer intervenção direta, o que seria uma obrigação.
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